Venda de refinarias da Petrobras reacende debate sobre expansão bilionária
O contraste envolve US$ 15,8 bilhões previstos entre 2026 e 2030 para a carteira de implantação alvo do segmento que reúne refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. O montante não se destina exclusivamente às refinarias e inclui projetos sujeitos à avaliação de financiabilidade.
Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta sexta-feira (23), ex-dirigentes da Petrobras e interlocutores próximos à campanha de Flávio Bolsonaro consideram possível retomar a venda de refinarias e campos maduros de petróleo. Entretanto, o programa eleitoral não estabelece compromisso específico com essas operações.
Venda de refinarias da Petrobras encontra investimentos já aprovados
A dimensão econômica do debate aparece no planejamento industrial da estatal. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê ampliar a capacidade instalada de processamento de 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030, incluindo empreendimentos ainda em avaliação.
A expansão está planejada para instalações existentes, sem construção de novas refinarias. Entre os projetos destacados estão a conclusão do Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Refino Boaventura, no Rio de Janeiro.
Em Cubatão, São Paulo, a Petrobras aprovou, em junho de 2026, aproximadamente US$ 1,2 bilhão para uma planta de combustíveis renováveis na Refinaria Presidente Bernardes. A decisão autorizou o investimento, mas não significa que as obras já tenham começado. O cronograma divulgado prevê início da construção até o fim de 2026 e entrada em operação em 2030.
Outro compromisso industrial é o programa RefTop, com US$ 1 bilhão previsto entre 2026 e 2030 para iniciativas de eficiência operacional e energética das refinarias.
A diferença econômica está no destino do capital. Ao ampliar instalações próprias, a Petrobras assume os investimentos e mantém a propriedade dos ativos. Em uma venda, recebe recursos pela alienação e transfere a unidade ao comprador. As estratégias podem coexistir, dependendo das instalações e das condições negociadas.
Histórico de vendas mostra alcance da estratégia anterior
A política de desinvestimentos também envolveu ativos de exploração e produção. Durante o governo Jair Bolsonaro, a Petrobras vendeu 124 campos maduros de petróleo, segundo levantamento publicado pelo UOL em 23 de outubro de 2026. Essas áreas já haviam ultrapassado seu pico produtivo, condição que pode elevar os custos de extração.
No refino, a companhia vendeu quatro refinarias desde 2019, com arrecadação aproximada de R$ 3,5 bilhões. Três operações ocorreram durante o governo Bolsonaro, enquanto a quarta foi contratada naquela administração e concluída em 2023, sob Lula.
O programa original previa negociar oito das 13 refinarias consideradas no planejamento da época. Posteriormente, a Petrobras interrompeu os desinvestimentos nesse segmento e passou a priorizar a ampliação de sua capacidade produtiva.
Essas operações ajudam a dimensionar a estratégia anterior, mas seus valores não permitem calcular receitas de eventuais vendas futuras, que dependeriam dos ativos selecionados e das condições de negociação.
Exploração de petróleo já concentra parcela relevante dos investimentos
Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras durante o governo Jair Bolsonaro, defende priorizar exploração e produção de petróleo. Segundo o UOL, ele considera essas atividades mais rentáveis e entende que outros segmentos poderiam contar com maior participação privada. Castello Branco ressalta que não representa a campanha de Flávio Bolsonaro.
O planejamento vigente da Petrobras já prevê US$ 69,2 bilhões entre 2026 e 2030 para a carteira de implantação alvo de exploração e produção. Uma eventual alteração estratégica envolveria, portanto, a distribuição dos investimentos entre atividades nas quais a companhia já atua.
O programa eleitoral de Flávio Bolsonaro menciona a atração de capital privado e a modernização do refino, mas não identifica refinarias destinadas à venda nem apresenta valores ou cronograma para possíveis operações.
Enquanto a venda de refinarias da Petrobras permanece uma hipótese atribuída a analistas, o planejamento empresarial mantém compromissos industriais concretos. Entre eles está a planta de combustíveis renováveis de Cubatão, cujo investimento foi aprovado em junho de 2026 e cuja entrada em operação está prevista para 2030.
