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Arrecadação federal bate recorde em setembro, mas alta inclui pagamentos fora do padrão

A arrecadação federal de setembro bateu recorde, mas a Receita Federal registrou crescimento menor após retirar fatores extraordinários.
A arrecadação federal de setembro alcançou R$ 239,384 bilhões em 2026, o maior resultado para o mês na série histórica. Entretanto, o crescimento perde força quando a Receita Federal desconsidera pagamentos atípicos e efeitos de alterações tributárias. A diferença revela uma limitação importante na interpretação do recorde.

Os dados divulgados pela Receita Federal do Brasil nesta quinta-feira (22/10) mostram crescimento real de 5,62% sobre setembro de 2025, descontada a inflação. Já as receitas administradas pelo órgão, após os ajustes, avançaram 3,69%. Os percentuais não representam exatamente o mesmo universo de receitas, mas permitem identificar o efeito dos ajustes sobre a parcela administrada pela Receita.

Arrecadação federal de setembro cresce menos após ajustes

A diferença fica mais clara ao comparar apenas as receitas administradas pela Receita Federal. Sem ajustes, elas somaram R$ 231,43 bilhões, com crescimento real de 5,03%. Depois da exclusão dos fatores extraordinários, o montante caiu para R$ 228,48 bilhões, com avanço de 3,69%.

Portanto, o ajuste reduz a taxa de crescimento em 1,34 ponto percentual dentro do mesmo conjunto de receitas. Isso não elimina o resultado positivo da arrecadação federal de setembro, mas indica que parte do desempenho depende de componentes que a Receita retira para permitir uma comparação mais uniforme entre períodos.

Entre esses componentes estão recolhimentos atípicos de tributos sobre o lucro e receitas provenientes de mudanças na legislação. A exclusão não significa que os recursos deixaram de entrar nos cofres públicos. Eles continuam integrando a arrecadação efetiva, embora recebam tratamento diferente na análise ajustada.

Crescimento de setembro fica abaixo do registrado em agosto

A desaceleração também aparece na comparação das taxas anuais de crescimento. Em agosto, a arrecadação federal havia alcançado R$ 235,566 bilhões, com alta real de 8,25% sobre o mesmo mês de 2025, segundo o Ministério da Fazenda.

Em setembro, a expansão real diminuiu para 5,62%. A diferença corresponde a 2,63 pontos percentuais, embora os dois meses tenham apresentado crescimento positivo em relação aos respectivos períodos do ano anterior.

Essa comparação não representa uma queda mensal da arrecadação. Os valores absolutos aumentaram de agosto para setembro. No caso da arrecadação federal de setembro, o que diminuiu foi o ritmo de crescimento na comparação anual.

Receitas extraordinárias exigem atenção na análise fiscal

O Imposto de Exportação sobre petróleo é um dos componentes que ajudam a explicar a necessidade dos ajustes. Em setembro, o tributo arrecadou R$ 2,943 bilhões, elevando o acumulado de 2026 para R$ 12,869 bilhões.

A cobrança também havia contribuído para o resultado de agosto, quando gerou R$ 1,944 bilhão. Na ocasião, a Receita Federal classificou essa receita como fator não recorrente associado a mudanças legislativas.

No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação federal chegou a R$ 2,35 trilhões, crescimento real de 6,97%. Nas receitas administradas ajustadas, o avanço foi de 5,77%, conforme os dados divulgados pela Receita Federal.

Para os próximos resultados, a questão será verificar se a arrecadação federal de setembro representa apenas um recorde pontual ou se o avanço das receitas ajustadas conseguirá manter seu ritmo.

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