Novo governo Elmano abre negociações por secretarias e suplências em meio à escolha das Mesas Diretoras
A formação do segundo governo de Elmano de Freitas (PT) movimenta os partidos aliados em torno da distribuição de secretarias e da possibilidade de abertura de vagas na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). As negociações ocorrem em meio à preparação das eleições das Mesas Diretoras do Legislativo estadual e da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), que também definirão espaços importantes de representação política para o próximo biênio.
O movimento mais recente envolve o PSB, partido do senador Cid Gomes, que elegeu 13 deputados estaduais em outubro. Segundo relatos de parlamentares divulgados nesta quarta-feira (4), a legenda trabalha com a perspectiva de abrir pelo menos duas vagas na Assembleia. As articulações internas também consideram a possibilidade de convocar até quatro suplentes, embora ainda não exista confirmação dos afastamentos necessários.
Na ordem de suplência do partido aparecem Salmito, Leonardo Pinheiro, Lucilvio Girão e Guilherme Bismarck. A convocação dependerá de licenças ou afastamentos de titulares, respeitadas as regras legais e a ordem eleitoral.
Secretariado entra na negociação política
Entre os aliados de Elmano, há expectativa de que legendas que participaram do primeiro mandato mantenham representação na estrutura administrativa. Parte dessas posições foi desocupada em abril, quando secretários deixaram seus cargos para disputar as eleições.
O deputado Moisés Braz (PT), que esteve à frente da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, declarou estar à disposição do governador, mas afirmou que ainda não houve conversa sobre eventual retorno à pasta.
O líder do governo na Assembleia, Guilherme Sampaio (PT), também considera natural que os partidos integrantes da coligação eleitoral participem da composição do novo secretariado.
Entre os parlamentares eleitos que possuem experiência recente no Executivo estadual estão Lia Gomes, Domingos Filho, Fernando Santana e Luisa Cela. As passagens por secretarias integram o histórico político desses nomes, mas não representam confirmação de novos convites.
Precedente na formação do primeiro governo
A escolha de deputados para cargos executivos já produziu alterações na composição da Assembleia. Após as eleições de 2022, parlamentares como Salmito, Moisés Braz e Zezinho Albuquerque assumiram secretarias estaduais, permitindo a convocação de suplentes em fevereiro de 2023.
O mecanismo também foi utilizado ao longo da legislatura, com licenças e afastamentos que possibilitaram mudanças temporárias nas bancadas.
O histórico demonstra como a distribuição de funções no Executivo pode repercutir na ocupação de cadeiras legislativas. Não há, entretanto, comprovação pública de que as movimentações atualmente discutidas façam parte de um acordo único firmado antes das eleições.
Câmara de Fortaleza concentra disputa entre PSB e PSD
Na Câmara Municipal de Fortaleza, a eleição da Mesa Diretora está prevista para dezembro, com mandato correspondente ao biênio 2027–2028.
O atual presidente, Léo Couto (PSB), articula sua permanência no comando da Casa. Pelo PSD, aparecem os nomes de Bruno Mesquita, líder do prefeito Evandro Leitão (PT), e Eudes Bringel, vereador licenciado que ocupa a chefia de gabinete do Executivo municipal.
A disputa ganhou importância adicional com a eleição da vice-prefeita Gabriella Aguiar (PSD) para a Vice-Governadoria do Ceará. A partir de janeiro de 2027, com sua saída do cargo municipal, o presidente da Câmara passará a ocupar a primeira posição na linha de substituição temporária do prefeito, conforme a Lei Orgânica de Fortaleza.
O novo comando também terá influência na condução das matérias de interesse da Prefeitura durante a segunda metade da gestão de Evandro.
Assembleia define comando em fevereiro
Na Alece, a eleição da Mesa Diretora ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, após a posse dos 46 deputados estaduais eleitos.
O presidente Romeu Aldigueri (PSB) articula sua recondução e já recebeu manifestações públicas de apoio. A composição dos demais cargos da Mesa deverá envolver negociações entre as bancadas da nova legislatura.
Embora as articulações tenham partidos em comum, as decisões obedecem a regras próprias: as nomeações para o Executivo cabem aos respectivos governantes, enquanto as Mesas Diretoras são eleitas pelos parlamentares de cada Casa.
Com a eleição da Câmara de Fortaleza em dezembro e a instalação da nova Assembleia em fevereiro, a composição do secretariado e os eventuais afastamentos parlamentares estarão entre os principais fatores a acompanhar na reorganização política do Ceará para 2027.
