Economia

Sem reformas fiscais, Brasil pode ficar na lanterna do crescimento na América Latina

Estimativa do banco Santander Brasil é de alta de 1,3% na economia do país, mas viés é de baixa

Sem ajuste fiscal, o Brasil pode crescer menos de 1,3% em 2027, ficando na lanterna entre seus pares latinoamericanos. Esse ano, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é de um crescimento de 1,8%, mas para o ano que vem será preciso avaliar como vai se comportar o cenário financeiro depois das eleições. A avaliação foi feita pelo novo economista-chefe do Santander Brasil, Marco Caruso, que participou do XXII Encontro Santander América Latina, realizado em Madri, nesta quarta-feira. Ele lembra que houve uma reação bastante abrupta da curva de juros futuros após as eleições.

— A curva de juros é bem importante no Brasil, porque determina crédito. Essa projeção de crescimento de 1,3% para 2027, tem um risco bem para baixo por conta do que a gente está vendo, principalmente na curva de juros. E de onde vem o grande desafio brasileiro? Tem uma música brasileira famosa, que é o Samba de Uma Nota só, que serve para o Brasil. No curto prazo, o principal problema é o fiscal, o fiscal, o fiscal — disse Caruso, nomeado economista-chefe do Santander Brasil nesta quarta-feira.

Se a previsão de crescimento de 1,3% se confirmar, a economia brasileira ficará atrás de países como Chile (crescimento previsto de 3,5%), Peru (3,2%), Argentina (2,7%), Colômbia (2%) e México (1,7%), segundo estimativas de crescimento feitas pelos economistas do Santander que acompanham a Amértica Latina. Países como a Argentina e o Chile, que fizeram reformas fiscais recentes, apresentam as maiores previsões de crescimento.

Reformas no Chile e Argentina

No Chile, o presidente José Antonio Kast, que tomou posse em março passado, colocou como prioridade ter as finanças públicas sanadas, obter uma carga tributária mais competitiva, dar permissões mais rápidas para quem quer empreender e tornar o Chile um país mais seguro. A Lei de Reconstrução Nacional e Desenvolvimento Econômico e Social reduziu a taxa de imposto corporativo de 27% para 23%, além de garantir invariabilidade tributária por até 20 anos para grandes projetos.

O novo governo chileno também avançou na simplificação de trâmites burocráticos, com redução de 55 para 13 autorizações setoriais na mineração, por exemplo. O novo governo optou pela disciplina e pela responsabilidade fiscal em detrimento do endividamento excessivo, disse Kast em evento do Santander na última terça-feira, em Madri.

Na Argentina, o governo de Javier Milei implementou desde sue primeiro ano de governo um forte ajuste nas contas públicas, reduzindo gastos em cerca de 35% no primeiro semestre (o equivalente a 5,6% do PIB), ampliou a bse de contribuintes e avançou com restrições severas para impedir que o Banco Central financie o déficit do Tesouro Nacional (direta ou indiretamente) através da emissão de moeda.

Agência O Globo

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