Tombo da Bolsa infla dividend yield, e 15 ações pagam acima do CDI; veja quais
O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), e 15 ações da Bolsa pagam dividendos acima do CDI, de 13,65% ao ano, segundo levantamento do InfoMoney com dados da Economatica. Na maior parte dos casos, porém, o dividend yield (DY) elevado vem da queda das cotações, e não de uma distribuição maior de proventos. Calculado sobre o preço de um ano atrás, o indicador deixaria oito desses papéis abaixo da renda fixa.
O levantamento considerou ações do Ibovespa, do Índice de Dividendos (Idiv) e do IBrX 100, com o DY calculado a partir dos proventos dos últimos 12 meses sobre a cotação de 4 de novembro. Em 13 dos 15 casos, o retorno total no período é negativo, mesmo somando os dividendos. A projeção também pressupõe que as empresas mantenham a política de dividendos e o nível de lucro, o que não está garantido.
Ações com dividend yield acima do CDI com Selic a 13,75%.
| Empresa (ação) | DY projetado | Dividendo por ação | Retorno 1 ano |
|---|---|---|---|
| Grendene (GRND3) | 40,55% | R$ 1,49 | -4,85% |
| Log Commercial Properties (LOGG3) | 33,13% | R$ 6,87 | +12,48% |
| Lavvi (LAVV3) | 32,69% | R$ 2,43 | -43,71% |
| Moura Dubeux (MDNE3) | 28,40% | R$ 4,76 | -29,97% |
| Marcopolo ON (POMO3) | 27,67% | R$ 0,92 | -33,80% |
| Even (EVEN3) | 26,87% | R$ 0,92 | -48,33% |
| Marcopolo PN (POMO4) | 26,10% | R$ 0,92 | -37,10% |
| Vulcabras (VULC3) | 25,79% | R$ 3,10 | -36,67% |
| Direcional (DIRR3) | 18,39% | R$ 1,55 | -45,55% |
| Azzas 2154 (AZZA3) | 17,72% | R$ 2,48 | -45,83% |
| PetroReconcavo (RECV3) | 16,46% | R$ 1,71 | -5,10% |
| Cury (CURY3) | 16,21% | R$ 4,31 | -13,71% |
| Cyrela (CYRE3) | 15,33% | R$ 2,73 | -25,76% |
| Allos (ALOS3) | 14,11% | R$ 3,51 | +11,14% |
| BR Partners (BRBI11) | 13,77% | R$ 0,46 | -42,58% |
No caso da Lavvi (LAVV3), por exemplo, os mesmos R$ 2,43 em proventos por ação faria o DY calculado sobre a cotação de um ano atrás ser de 15,9%. Sobre o preço atual, chega a 32,7%, porque a ação acumula perda de 44% em 12 meses, mesmo com os dividendos. Na Direcional (DIRR3), o indicador dobra de 9,1% para 18,4% e, na BR Partners (BRBI11), sobe de 7,3% para 13,8%.
Um yield que cresce dessa forma não indica que a empresa passou a remunerar melhor o acionista, e sim que o mercado passou a pagar menos pela ação, muitas vezes por duvidar de que lucros e dividendos vão se repetir. “Historicamente, comprar Brasil a 7 ou 8 vezes lucro não garantiu retornos acima da média”, apontam estrategistas do Bradesco BBI, em estudo que estima que 74 das 106 empresas sob cobertura podem sofrer revisões negativas de lucro caso a nova trajetória da Selic se confirme.
Incorporadoras no topo
As incorporadoras respondem por seis dos 15 papéis: Lavvi, Moura Dubeux (MDNE3), Even (EVEN3), Direcional, Cury (CURY3) e Cyrela (CYRE3). É um setor sensível ao custo do crédito imobiliário e, por isso, à alta dos juros futuros. Todas acumulam retorno negativo em 12 meses, com perdas que chegam a 48% na Even.
Mesmo dentro do setor, as casas de análise têm sido seletivas. O Itaú BBA trocou a Direcional pela Cury na carteira principal após a eleição. “Os retornos devem depender mais da entrega de lucros e do carrego do que de uma reavaliação generalizada dos ativos”, avaliam os estrategistas do banco.
Exceções
Só duas ações da lista tiveram retorno positivo em 12 meses, ambas de exploração de imóveis. A Log Commercial Properties (LOGG3), de galpões logísticos, subiu 12,5%, e a Allos (ALOS3), de shopping centers, 11,1%, mesmo depois de cair 20% em outubro com a alta dos juros longos. Já a Grendene (GRND3), que lidera o ranking com DY de 40,6%, tem o número influenciado por dividendos extraordinários, e não por um nível de pagamento que deva se repetir.
Com os juros altos, a nova seleção de dividendos da Genial Investimentos “passa a privilegiar quem paga proventos com o caixa do próprio negócio e tem pouca ou nenhuma dívida”.
