Política

Trump diz que teve “boa conversa com Lula” e que se encontrarão em breve

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Lula Inácio Lula da Silva (PT), conversaram nessa segunda-feira (6), por meio de telefone. Após, o republicano publicou na Truth Social, rede digital dele, que teve um “bom telefonema” com o brasileiro. “Gostei muito da conversa, nossos países vão se dar muito bem juntos. Falamos de muitas coisas, mas especialmente de economia e comércio entre os dois países. Estaremos juntos em um futuro próximo, tanto no Brasil quanto nos EUA.” Trump também antecipou “novas discussões” sobre outros temas no futuro.
Na conversa, Lula pediu a retirada do tarifaço imposto ao Brasil e a suspensão das “medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras”. Trump cassou vistos de auxiliares do petista e autorizou sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes não foi nominalmente citado, segundo testemunhas da conversa.
Ainda segundo relatos, a conversa transcorreu de forma descontraída. Lula chegou a dizer que não tinha inimigos. Em resposta, Trump disse que os tem. O republicano também afirmou que o encontro que os dois tiveram na Assembleia-Geral da ONU, no mês passado, foi uma das “poucas coisas boas” que aconteceram a ele no evento.
No telefonema de ontem, Trump voltou a se queixar dos problemas técnicos enfrentados durante o discurso, como do teleprompter. Crítico da ONU, Trump reclamou, no discurso na Assembleia, até mesmo da escada rolante, que não funcionou quando ele e a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, tiveram que usá-la.
Ainda segundo relatos, Lula pediu que as sanções fossem suspensas para que possam negociar a partir do zero. O americano teria respondido que submeterá a proposta ao secretariado. De acordo com comunicado do Palácio do Planalto, “o presidente Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad. Os líderes acordaram se encontrar pessoalmente em breve. O presidente Lula aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean [Associação de Nações do Sudeste Asiático], na Malásia; reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém (PA); e também se dispôs a viajar aos Estados Unidos”.
A nota do governo descreve que a conversa telefônica durou 30 minutos e ocorreu “em tom amistoso”. Geraldo Alckmin disse ontem que a conversa entre os presidentes foi melhor do que o esperado. Segundo ele, os dois trocaram telefones pessoais. O canal direto entre os dois reforça o novo momento da relação entre os dois, após meses em que o Governo brasileiro tentava dialogar com a Casa Branca a respeito do tarifaço aos produtos brasileiros.
Uma ala do governo Lula e lideranças do setor privado receberam com preocupação a indicação do secretário de Estado, Marco Rubio, como o responsável por negociar o tarifaço aplicado. O chefe da diplomacia americana é considerado alguém com forte viés ideológico e que faz oposição ferrenha à esquerda latino-americana, principalmente aos regimes da Venezuela e de Cuba.
Apesar dessa avaliação, auxiliares de Lula diretamente envolvidos nas conversas em curso com Washington apostam que prevalecerá o pragmatismo de Trump e que Rubio cumprirá a orientação que receber da Casa Branca.
Trump não citou o nome de Jair Bolsonaro (PL) no telefonema, apesar de o julgamento do ex-presidente no STF ter sido um dos argumentos usados pelo Governo dos EUA para aplicação de sanções contra o Brasil. A relação amistosa entre Trump e Lula foi minimizada por bolsonaristas, que buscaram destacar o que apontam revés político para Lula: a indicação de Rubio.

Fonte:  O Estado CE

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