Esportes

Proibição das bets leva times de futebol a protestar por receitas que novos acordos ainda não garantem

Clubes contestam a proibição das bets no futebol enquanto buscam alternativas para contratos milionários, sem garantia de recuperar as receitas anteriores.

A proibição das bets no futebol levou clubes brasileiros a protestar contra a retirada de um dos principais financiadores comerciais do esporte. Em 2025, as casas de apostas destinaram bilhões em patrocínios aos times da Série A, mas as primeiras substituições de marcas ainda não permitem determinar quanto dessa receita poderá ser recuperado.

A resistência ganhou força no clássico entre Flamengo e Fluminense, nesse domingo (11/10), no Maracanã. Os rivais exibiram a frase “Proibir não é proteger” nos uniformes, enquanto torcedores estenderam faixas contra a medida. A manifestação ampliou uma campanha que já havia ocupado placas publicitárias em nove partidas do Brasileirão.

A mobilização também contou com as próprias patrocinadoras. Segundo o Lance!, Betano e Superbet articularam a ação conjunta dos clubes cariocas, evidenciando o interesse comercial compartilhado na contestação da proibição das bets para o futebol.

Bets concentravam um terço das receitas comerciais dos clubes

O peso econômico das apostas ajuda a explicar a reação. Em 2025, o setor destinou R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A, crescimento de aproximadamente 66% sobre os R$ 618 milhões registrados em 2024, conforme levantamento da consultoria Convocados.

Embora representassem 7,2% do faturamento total, esses recursos correspondiam a aproximadamente 33% das receitas comerciais. A diferença revela por que a proibição das bets no futebol atinge uma área particularmente sensível: o mercado de patrocínios, no qual as casas de apostas conquistaram participação expressiva.

Antes da medida, 14 dos 20 clubes da elite nacional exibiam marcas de apostas como patrocinadoras máster. Um levantamento do UOL identificou pelo menos R$ 910 milhões anuais em contratos, incluindo Flamengo (R$ 220 milhões fixos), Corinthians (R$ 150 milhões) e Palmeiras (R$ 100 milhões fixos). Esses valores representam compromissos contratuais, não prejuízos já realizados.

Novos patrocinadores ainda não asseguram receitas equivalentes

Com a proibição das bets, a substituição das marcas começou entre os times de futebol, mas os resultados financeiros permanecem incertos. O Corinthians, por exemplo, suspendeu seu acordo com a Esportes da Sorte e fechou com a Shopee para os nove jogos restantes do Campeonato Brasileiro.

Já outros clubes enfrentam situações diferentes. Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro, Vitória e Grêmio chegaram a disputar partidas sem patrocinador máster, enquanto Fluminense e São Paulo recorreram à Superscore, plataforma de estatísticas vinculada ao grupo da Superbet.

Essas respostas mostram que a proibição das bets não produz efeitos comerciais uniformes. Entretanto, a presença de uma nova marca patrocinadora não comprova a manutenção dos valores anteriores.

Proibição das bets no futebol mantém contratos sob incerteza

A Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro (25/9), proibiu a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, incluindo patrocínios esportivos. Embora esteja em vigor, a norma ainda depende de deliberação do Congresso Nacional, com prazo inicialmente previsto para 23 de novembro.

Essa indefinição acrescenta uma dificuldade às negociações. A proibição das bets no futebol exige que os clubes avaliem novas fontes de financiamento enquanto permanecem incertos os efeitos definitivos da medida. Além disso, contratos suspensos e rescindidos podem produzir consequências financeiras diferentes, conforme suas condições específicas.

Mesmo uma eventual reversão da proibição das bets não garantiria automaticamente o restabelecimento de acordos encerrados no futebol. Por isso, os protestos também expõem uma questão de planejamento financeiro. E a resposta dependerá dos valores das novas parcerias, dos pagamentos já realizados e das condições de encerramento dos contratos anteriores.

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