Ceará

Mercado de trabalho do Ceará sente impacto da troca de humanos por IA, apontam especialistas

Enquanto o Brasil discute os limites éticos da tecnologia, o mercado de trabalho cearense já sente o impacto direto da automação. No setor bancário, a substituição de humanos por robôs e sistemas de Inteligência Artificial (IA) reduziu o quadro de funcionários de 24 mil para apenas 7 mil profissionais.

O dado e a preocupação foram apresentados no debate sobre o avanço saudável das tecnologias de IA, tema da II Conferência Ceará por Inteligência Artificial com Direitos Sociais.

Com o lema “Tempestades estão chegando”, o evento teve seu painel de abertura no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), na quinta-feira, 16 de abril.

As discussões foram organizadas pelo Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (Iniads) e uma frente ampla de sindicatos trabalhistas e grupos de pesquisadores. Eles destacam que o apelo do movimento não é contra o avanço da IA, mas a favor da evolução responsável.

Presidente do Iniads, José Vital comenta que várias questões preocupam o movimento. Ele menciona a captação de dados de brasileiros por plataformas estrangeiras, a falta de uma regulamentação da IA e o uso da tecnologia para precarizar e diminuir postos de trabalho.

“No Ceará, já tivemos mais de 24 mil bancários. Hoje são em torno de 7 mil, apenas. A automação, robótica e IA estão nos bancos substituindo os empregos humanos. Os bancários estão sendo demitidos, substituídos por essa tecnologia que é revolucionária, mas precisamos conhecer a fundo para saber o seguinte: como vamos negociar?”, afirma

“O Governo Federal e o parlamento brasileiro vão ter que regulamentar isso. Eles não podem ver as coisas acontecendo e não fazer nada. Eles têm que agir em prol da sociedade brasileira e da própria nação brasileira”, continua.

O primeiro painel, realizado na UFC, teve como tema “Soberania Digital no Brasil e no mundo”. Os convidados foram Sérgio Amadeu, professor de Relações Internacionais e Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), e Jeff Xiong, pesquisador da East China Normal University, que participou remotamente.

O professor Amadeu reforçou que a IA pode dar, inclusive, maior produtividade para o trabalho no Brasil, em especial em processos repetitivos. Ele enfatiza, entretanto, que nem toda inovação vem acompanhada de melhorias no campo do trabalho.

Para ele, o tema da regulação no Brasil ainda está “patinando”, fazendo referência ao Projeto de Lei n° 2338/2023, que foi aprovado no Senado e se encontra em avaliação na Câmara dos Deputados.

“O problema é que já sabemos uma série de riscos da IA. Portanto, isso tem que ser regulado, mas existe um temor que a regulação vai impedir a inovação.”, elabora.

“Esse temor eu contraponho da seguinte forma: inovação é pegar elementos da ciência e da tecnologia e tornar em produtos e serviços no mercado. Nem todos produtos e serviços que gerem risco e dano social devem ser autorizados. Nem toda a inovação deve ser aceita. Inovações que destroem direitos, colocam em risco o meio ambiente e ampliam o a discriminação, nós não podemos permitir”, finaliza.

Programação da Conferência

A Conferência se prolonga até o dia 28 maio, passando por universidades quatro cidades cearenses.

Além da abertura, haverá mais duas palestras em Fortaleza, no campus do Itaperi da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em 8 de maio, e no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), no dia 28 de maio.

A região do Cariri também será alcançada, com uma palestra na Universidade Federal do Cariri (UFCA), em Juazeiro do Norte, no dia 24 de abril.

As outras duas cidades são Redenção, em 14 de maio, na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), e Sobral, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em 21 de maio.

OPOVO

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