Internacional

Lula pede diálogo com Trump sobre tarifas, mas diz que soberania é inegociável

No jornal americano The New York Times, o presidente Lula (PT) afirmou que deseja manter diálogo “aberto e franco” com Donald Trump, mas que está orgulhoso do Supremo Tribunal Federal (STF) pela condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e que “são infundadas” as acusações contra o Brasil. “Presidente Trump, permanecemos abertos a negociar tudo que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e soberania do Brasil não estão na mesa de discussão”, disse o petista no artigo, em inglês, publicado nesse domingo (14).

O texto, segundo Lula, é uma resposta do Brasil ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A publicação, porém, ocorre justamente logo após o STF condenar Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. O Governo americano ameaça novas sanções por causa do julgamento, com a alegação de que houve perseguição política.

O petista disse que examinou com atenção o argumento comercial e que é não “apenas equivocado, mas também ilógico”, porque há superávit na balança comercial a favor dos americanos. “A falta de racionalidade econômica por trás dessas medidas deixa claro que a motivação da Casa Branca é política”, escreveu Lula.

Segundo ele, o Governo americano usa as tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para Bolsonaro, “que orquestrou uma tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, numa tentativa de subverter a vontade popular expressa nas urnas”. Lula também citou os planos para assassiná-lo, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que é relator dos processos contra Bolsonaro.

“Tenho orgulho do Supremo Tribunal Federal do Brasil por sua decisão histórica na última quinta-feira, que protege nossas instituições e o Estado Democrático de Direito. Isso não foi uma “caça às bruxas”. O julgamento resultou de um processo conduzido de acordo com a Constituição de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar”, afirmou o presidente brasileiro.
Lula também rebateu, no artigo, outras acusações do governo Trump para aplicar sanções comerciais ao Brasil, como a de que a regulação das redes sociais visa censurar a liberdade de expressão no país. Disse que esse argumento é “desonesto” e que a atuação brasileira busca “a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra sem lei, onde pedófilos e agressores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes”.

Além disso, defendeu o Pix, por permitir a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. O meio de pagamento faz parte de uma investigação comercial aberta pelo Governo dos EUA contra o Brasil, em apuração no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA).
Para Lula, são “infundadas” as alegações de suposta falha na aplicação das leis ambientais. Ele afirma no artigo que o Brasil reduziu a taxa de desmatamento na Amazônia à metade nos dois anos do governo dele, mas que a redução das emissões de gases de efeito estufa depende também de que outros países façam a sua parte. O petista declarou ainda que quando os Estados Unidos “viram as costas a uma relação de mais de 200 anos”, como a mantida com o Brasil, “todos perdem”, e afirmou que duas grandes nações devem ser capazes de se respeitar e de cooperar, “pelo bem dos brasileiros e dos americanos”.
Lula disse ainda que concorda com a ideia de levar empregos de volta aos Estados Unidos e promover a reindustrialização, mas criticou o uso de ações unilaterais. Afirmou também que os EUA tiveram ganho na balança comercial com o Brasil de 410 bilhões de dólares em 15 anos.

OE

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