“Homem das viradas”, Camilo é apontado como provável ministro mais importante do Lula 4
Lembrado para papel de destaque na campanha de segundo turno de Lula (PT) por ter ficado conhecido como o “homem das viradas”, Camilo Santana (PT) tem a partir de 2027 mais quatro anos garantidos de mandato no Senado, mas, assim como no primeiro ano do governo Lula 3, tende a se licenciar do cargo para assumir novamente um espaço na Esplanada dos Ministérios, consequência da liderança política que assumiu junto ao presidente reeleito nos últimos quatro anos.
A provável permanência de Camilo no primeiro escalão do entorno de Lula, após os resultados eleitorais e a aliança de coalizão bem-sucedida como líder do partido no Senado, pode levá-lo a uma das pastas mais poderosas do Palácio do Planalto: a Casa Civil.
Diferente de 2022, em razão de se tratar de um governo cujo presidente vai permanecer na cadeira presidencial, não haverá o chamado período de transição, que ocorre quando a gestão derrotada institucionaliza a passagem do bastão à gestão eleita.
O organograma ministerial, contudo, será modificado. Um dos exemplos é a provável criação do Ministério da Justiça, que hoje funciona coligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A separação das pastas depende da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública (PEC da Segurança Pública), em tramitação no Senado e pronta para ser debatida em plenário, já que a proposição passou pela análise em comissão e teve seu relatório, do senador Rogério Carvalho (PT-SE), aprovado.
“Gol no Senado”
Dias antes do segundo turno, motivado por uma divergência interna da bancada do PT sobre a redução da maioridade penal, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que a PEC seria votada no retorno das atividades com o fim da eleição presidencial.
O ministério a ser instituído caso a proposta seja promulgada vai compor o núcleo-duro do governo, nicho que, nas gestões PT, habituou-se a ficar sob o controle do próprio partido ou, no máximo, de siglas da confiança de Lula e Dilma Rousseff (PT), como o MDB, antes do impeachment da presidente.
Com a ampliação da estrutura ministerial para acomodar nomes do PT, o espaço mais cobiçado, a Casa Civil, vem sendo ventilado pela imprensa nacional como possível ao ex-governador cearense.
O debate, porém, deve se intensificar nas próximas semanas, com o anúncio, caso Lula siga o modelo pós-Eleições 2022, no início de dezembro. Vice reeleito, Geraldo Alckmin (PSB) pode se tornar ministro da Fazenda, posto ocupado até pouco tempo por Fernando Haddad (PT).
Também nome de confiança do presidente reeleito, o senador Rui Costa (PT), afastado por ora das atividades, ocupou o espaço de ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula 3, mas corre o risco de não retornar ao posto: Lula anunciou que deseja reformular a governabilidade para a partir do ano que vem, o que pode impactar diretamente no modelo “mais analógico”, historicamente habitual das gestões 1, 2 e 3 do presidente.
Miriam Belchior está no posto, mas sua permanência ainda não foi publicamente discutida.
“Potencial sucessor”
Entre correligionários, Camilo Santana é visto como potencial sucessor de Lula. Ao O Estado, ainda durante o primeiro turno, o vice-presidente nacional do PT, o deputado estadual De Assis, chegou a declarar a predileção interna por Camilo Santana ao ser questionado sobre o espaço interno de liderança do senador.
Em entrevista a este jornal, no primeiro semestre deste ano, o ex-governador comentou sua relação de proximidade com Lula. “Eu já tinha uma relação há algum tempo, mas não era uma relação [tão próxima]. Antes de ser presidente agora dessa última vez [2022], ele ficou um final de semana na minha casa de praia em Icapuí”.
Ainda conforme o parlamentar, a relação passou a ser mais próxima depois de seu ingresso no Ministério da Educação.
Na mesma ocasião, o ex-governador do Estado, indagado sobre possível sucessão presidencial, limitou-se a dizer que jamais “imaginou chegar aonde chegou”.
“Não tenho esse projeto [de ser presidente], eu quero ajudar. E, onde eu puder ajudar, eu vou ajudar […] Claro que se o presidente reeleito nos convidar, com muita honra, porque eu acredito nele, acredito no governo, acredito principalmente na educação. Faz parte como um princípio de vida da gente. Vamos trabalhar”, finalizou.
Fonte: O Estado CE
