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Economia do meio: o desafio de transformar pequenos negócios em motores de emprego e renda

A força de uma economia não está apenas nas grandes corporações, mas também na capacidade dos pequenos e médios negócios de gerar empregos, movimentar o comércio e ampliar a renda das famílias. É nesse contexto que a economia do meio se apresenta como uma perspectiva de desenvolvimento centrada em quem empreende, produz e contribui diretamente para a dinâmica econômica das cidades.

Manter uma empresa no Brasil, porém, exige superar obstáculos como a complexidade tributária, a burocracia, os juros elevados, a dificuldade de acesso ao crédito, a inadimplência e os custos operacionais. Na prática, esses entraves reduzem a capacidade de investir, contratar e expandir os negócios.

O desafio do próximo governo será transformar esse diagnóstico em medidas concretas. Uma agenda para fortalecer pequenas e médias empresas deve incluir linhas de crédito com garantias acessíveis, especialmente para negócios sem patrimônio suficiente para oferecer como garantia; ampliação da orientação financeira e gerencial; digitalização de serviços públicos; e simplificação de procedimentos para abrir, regularizar e manter uma empresa.

Também é necessário facilitar a participação dos pequenos negócios nas compras governamentais, com editais acessíveis, divulgação antecipada das oportunidades e pagamento dentro dos prazos. Outra medida é ampliar programas de qualificação profissional em parceria com instituições de ensino e empresas, conectando a formação às necessidades reais do mercado de trabalho.

Na área tributária, a prioridade deve ser garantir uma transição organizada para as novas regras, com informação clara, ferramentas de orientação e redução dos custos de conformidade para os empreendedores. Ao mesmo tempo, políticas de inovação, digitalização e aumento da produtividade podem ajudar empresas menores a competir e alcançar novos mercados.

Essas iniciativas precisam vir acompanhadas de metas públicas e indicadores de resultado, como a evolução do crédito concedido, a sobrevivência dos negócios, a produtividade, a formalização e a geração de empregos. A transparência na avaliação permite identificar o que funciona, corrigir falhas e aprimorar a aplicação dos recursos públicos.

Fortalecer pequenas e médias empresas não é apenas uma pauta empresarial: é uma questão de emprego, renda e redução das desigualdades. Quando um negócio cresce de forma sustentável e contrata formalmente, o trabalhador amplia sua proteção social, a família ganha maior previsibilidade financeira e a atividade econômica movimenta outros setores.

Por isso, a economia do meio precisa integrar as políticas de desenvolvimento municipal, estadual e federal. O próximo governo terá o desafio de criar condições para que os empreendedores enfrentem menos barreiras, invistam com maior segurança e transformem a atividade produtiva em oportunidades concretas para a população.

Afinal, o crescimento econômico ganha sentido quando se traduz em trabalho digno, renda e melhores condições de vida.

Fábio Tajra
Jornalista — DRT 3977-CE

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