Dia do Trabalho: mercado no Brasil revela profissionais mais maduros e qualificados
Segundo o Governo Federal, o Brasil tem cerca de 103 milhões de pessoas empregadas, com prevalência masculina de cerca de 60%, enquanto o público feminino está em 44,9%. Todo esse contingente passa ou vem passando por transformações significativas do mercado de trabalho, especialmente no pós-pandemia.
Essas mudanças podem ser observadas no perfil do trabalhador brasileiro, por meio de dados do IBGE (2019 e 2024) que apontam que o mercado tem profissionais mais maduros, com maior grau de escolaridade, mais formalizados, preocupados em equilibrar trabalho e vida pessoal, além de um certo desapego, ou seja, abertos a mudanças de emprego sem maiores ressentimentos.
Acerca da maturidade do profissional, a constatação acompanha o envelhecimento dos brasileiros e pessoas de 40 a 60 anos ou mais representam 47% da população ocupada por faixa etária. Enquanto os de 25 a 39 anos somam 38% e os de 18 a 24 anos, 12%. Quanto ao grau de instrução, aqueles com ensino superior completo passaram de 20,4%, em 2019, para quase 24%, em 2024. Também houve aumento entre aqueles que concluíram o ensino médio, passando de 34% para 37%.
Outro recorte importante nesse perfil é que o trabalhador está mais formalizado. O estudo do IBGE mostrou que passou de 61% para 65% o número de trabalhadores contribuindo para a Previdência Social.
Qualidade de vida
Já o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho foi levado em consideração numa pesquisa da Pluxee, líder global em benefícios e engajamento de colaboradores, com o Instituto Ipsos. Verbos como valorizar, priorizar, equilibrar e focar na vida pessoal foram mencionados por 69% dos entrevistados, enquanto 17% se mostraram dedicados, exclusivamente, a tarefas laborais.
A média de permanência em cada empresa é de cerca de 2 anos, o que indica uma procura por melhores condições de trabalho. Esse fator é confirmado na análise da consultoria Robert Half, que mostrou que 61% dos profissionais planejam buscar um novo emprego e o LinkedIn afirmou que 37% se sentem preparados para essa transição. Melhores salários, desenvolvimento de carreira e mais qualidade de vida são os fatores que motivam essa busca constante.
Para o secretário do Trabalho no Ceará, Vladyson Viana, esse perfil de entrada no mercado de trabalho colabora para as constantes mudanças. “No acumulado do ano de 2026, tivemos uma concentração na faixa etária de 18 a 24 anos, com ensino médio completo e que atua no setor de serviço, que tem uma alta rotatividade. Já nos grupos mais maduros temos uma longevidade nas relações trabalhistas, com isso eles conseguem evoluir na carreira, na formação, na remuneração”, defende.
O administrador Allanderson Magalhães, que atua na área de Recursos Humanos há mais de 10 anos, atribui a tendência a uma quebra de padrão visto em gerações anteriores. “Os pais, os avós faziam questão de dizer ‘fiquei 20 anos naquela empresa’. Hoje parece que isso é até feio. Mas de certa forma, hoje as pessoas estão mais formais na questão da educação. É difícil algum jovem não estar cursando ou ter a vontade de cursar alguma faculdade ou curso técnico. Outra coisa, ele só não querer ficar na empresa, ele também não querer ficar no mesmo cargo para o resto da vida”, observa.
Formada em Logística em 2021, Emylle Santos faz parte da geração que estima pelo reconhecimento profissional, prioriza a qualidade de vida e não teme as mudanças. “Prezo sempre pelo reconhecimento do trabalho alinhado à possibilidade de desenvolvimento e acredito que, estando devidamente preparada, as oportunidades no mercado são muito vastas. Hoje, eu percebo que dificilmente vale a pena negligenciar a vida e os objetivos pessoais por conta do trabalho, afinal pode mudar a qualquer momento”, argumenta a jovem de 25 anos.
Por Emanuel Santos
