De fachada vazia a ativo disputado: como São Paulo redesenha o térreo dos prédios
Após anos de dificuldade para emplacar o uso de fachadas ativas nos prédios em São Paulo, o setor imobiliário está agora em um novo momento: mais atentas ao destino final dos espaços e alinhadas com eventuais investidores, incorporadoras chegam a ter os compradores desses ativos como sócios de empreendimentos residenciais.
Novos projetos tentam resolver alguns problemas que, historicamente, atrapalharam a liquidez dos espaços destinados a comércio e serviços no térreo de prédios desde 2015. Enquanto a melhor infraestrutura de energia e exaustão, bem como ventilação natural, sombra e metragem, têm estimulado a chegada de restaurantes a centros estéticos às fachadas ativas, adaptações nos modelos de contrato chegam a atrair até cartórios aos espaços.
“Na versão mais recente das fachadas ativas, o projeto já tem que ser bem pensado na partida. É um desafio do incorporador: pensar no usuário do espaço. Assim como ele dedica tempo a entender o comprador final do residencial, também tem que dedicar um tempo importante à lógica de utilização desses espaços”, afirma o diretor de serviços de portfólio da consultoria imobiliária JLL, Roberto Patiño.
Estímulo às fachadas ativas
Desde a aprovação do Plano Diretor de 2014, principal responsável por estimular a adesão às fachadas ativas em empreendimentos imobiliários, as taxas de ocupação sempre se mantiveram em patamares distantes ao ideal. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) fez o cálculo: em 2023, a vacância nesses espaços era de 60% a 80%.
Em alguns dos primeiros projetos a incluírem estes espaços, acontecia o seguinte: enquanto os desenhos não levavam em conta os consumidores finais, a equipe de vendas residencial muitas vezes não sabia como vender a área comercial do prédio. Seduzidos pelo potencial de venda similar ao custo da área residencial, muitos investidores até entraram no negócio, apenas para ver o ativo “queimar na mão”. Os lojistas e prestadores de serviço não conseguiriam aproveitar os espaços.
E por que os incorporadores, então, decidiram por aderi-las? Porque, segundo o plano diretor, todo o espaço dedicado a uma fachada ativa pode ser adicionado no potencial construtivo do prédio. Ou seja, cada metro quadrado destinado a lojas com acesso público no térreo pode ser convertido em mais andares de apartamento nos andares de cima.
