Economia e Empreendedorismo

Banco Central mantém taxa de juros em 15% ao ano pela 5ª vez seguida

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (28/01) manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, repetindo, pela quinta reunião consecutiva, a estratégia de interromper o ciclo de mudanças na política monetária e sustentar o patamar mais alto dos juros desde julho de 2006. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado: levantamento da Bloomberg indicava que 32 de 35 instituições consultadas projetavam estabilidade na taxa.

A manutenção ocorre em um momento em que parte relevante dos agentes financeiros começa a redesenhar o horizonte para a flexibilização monetária. Nas últimas semanas, grandes bancos revisaram seus cenários e passaram a apostar em cortes a partir de março, enquanto uma minoria ainda via espaço para que o início do ciclo de redução pudesse ocorrer já na primeira reunião do ano. Ao optar novamente pela continuidade, o Banco Central sinaliza que prefere acumular evidências adicionais sobre a trajetória da inflação e das expectativas antes de abrir caminho para cortes.

O encontro desta quarta-feira também foi marcado por quórum reduzido no colegiado, uma vez que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não anunciou os substitutos de Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025. No pano de fundo, persiste a pressão do Executivo e de setores produtivos por juros menores, em um cenário no qual o custo do crédito permanece elevado e as condições financeiras seguem restritivas para consumo e investimento.

No ambiente externo, a decisão do Copom preserva o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed) interrompeu o ciclo de cortes e manteve as taxas estáveis na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, mesmo sob pressão do presidente Donald Trump. Para analistas, a combinação entre juros elevados no Brasil e estabilidade nos EUA ajuda a explicar parte da atratividade relativa dos ativos domésticos, ao mesmo tempo em que mantém o BC brasileiro atento à volatilidade global.
A Selic permanece em 15% após um ciclo de alta iniciado em setembro de 2024 e encerrado em junho de 2025. Nesse intervalo, a taxa acumulou elevação de 4,5 pontos percentuais, saindo de 10,5% para os atuais 15% ao ano. O aperto monetário prolongado contribuiu para a perda de força da inflação em 2025: o IPCA fechou o acumulado do ano em 4,26%, abaixo do teto da meta perseguida pelo BC e no menor nível para um ano fechado desde 2018 (3,75%).

Apesar da melhora recente do índice cheio, o regime de meta contínua mantém a autoridade monetária focada na persistência das expectativas. O alvo central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, intervalo de 1,5% a 4,5%. Nesse modelo, a meta é considerada descumprida quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora da banda.
O mercado de trabalho, em particular, segue aquecido: a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, renovando a mínima da série histórica iniciada em 2012. Para economistas, esse desempenho pode reduzir a velocidade de arrefecimento da demanda e dificultar a convergência plena das expectativas ao redor do centro da meta, especialmente se houver dúvidas sobre o equilíbrio fiscal e o comportamento dos preços no médio prazo. A próxima decisão do Copom está marcada para os dias 17 e 18 de março, no segundo de oito encontros previstos para o ano.

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