Turismo em alta impulsiona a economia e prepara Fortaleza para comemorar 300 anos em grande estilo
Fortaleza vive um momento de afirmação no mapa do turismo nacional e internacional. Com praias cheias o ano inteiro, uma rede hoteleira em franca expansão e um calendário robusto de eventos, a capital cearense transformou o turismo em um dos pilares de sua economia, impulsionando geração de empregos, atração de investimentos e fortalecimento de diversos setores, do comércio aos serviços. Nesse cenário, pensar o turismo deixou de ser apenas uma discussão sobre lazer para se tornar um tema estratégico de desenvolvimento.
À frente desse desafio está a secretária de Turismo de Fortaleza, Denise Sá Vieira Carrá, advogada, mestra em Ordem Jurídico-Constitucional pela Universidade Federal do Ceará (UFC), que acumulou experiência decisiva na gestão pública ao passar pela Casa Civil e pelo próprio Turismo do Estado. Procuradora Jurídica da Cagece entre 2007 e 2011, ela assumiu a Secretaria Executiva da Casa Civil de 2011 a 2014, esteve como secretária Executiva do Turismo de 2015 a 2021 e, desde 2022, responde pela Secretaria Executiva de Eventos, Comunicação e Publicidade da Casa Civil do Ceará, acompanhando de perto as estratégias que projetam Fortaleza para além das fronteiras do Estado.
Nesta entrevista ao jornal O Estado, Denise Carrá fala sobre o papel do turismo na economia de Fortaleza, o impacto dos grandes eventos na movimentação da cadeia produtiva, os desafios de manter a cidade competitiva em um mercado cada vez mais disputado e as perspectivas para os próximos anos. Ela explica como o setor tem sido trabalhado de forma articulada com outras políticas públicas e reforça por que o turismo é, hoje, uma das engrenagens centrais do desenvolvimento da capital cearense.
O ESTADO | Fortaleza registrou crescimento no fluxo de turistas neste ano em relação ao ano passado. Qual a importância desse momento para a economia local?
Denise Carrá | Estamos em um momento muito próspero para o turismo fortalezense. Considerando dados do nosso Observatório do Turismo, já recebemos mais de 3,3 milhões de turistas entre janeiro e outubro deste ano, com destaque para as 90.449 chegadas internacionais, um aumento de 25,3% em relação ao ano passado.
Esses números são importantes, porque eles representam um incremento direto na nossa economia e na geração de emprego e renda. Toda essa movimentação traz um impacto financeiro total de R$ 19,4 bilhões, número esse que considera desde o gasto feito pelo turista até as despesas realizadas pelas empresas que atendem quem chega à nossa cidade, como compra de insumos em restaurantes e na hotelaria. É toda uma cadeia que se movimenta com a chegada do turista. Nesse período de janeiro a outubro, também tivemos 480.399 empregos formais e informais gerados, um avanço de 11,9% em relação ao ano passado. Esses dados são muito importantes e são reflexo do trabalho contínuo da Secretaria de Turismo de Fortaleza na promoção da nossa cidade como um destino completo e atrativo.
O E. | Que estratégias a Secretaria de Turismo tem adotado para prolongar a permanência média do turista na cidade e aumentar o gasto médio por visitante, especialmente fora da alta estação?
D. C. | Esse é um ponto bastante importante. Além de estarmos recebendo mais turistas, eles estão ficando mais tempo na nossa cidade, uma média de 6,3 dias segundo os dados do Observatório da Indústria. Esse número representa um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
A extensão do período de estadia tem relação direta com uma estratégia em mostrar as diversas experiências que Fortaleza pode oferecer, mostrar que Fortaleza é muito mais que apenas sol e mar. Além das nossas belezas naturais, temos uma cultura belíssima representada por diferentes equipamentos culturais, uma gastronomia única e deliciosa. Temos uma vocação muito forte para o turismo wellness, com pessoas que praticam esportes à beira mar desde o nascer do sol, e opções diversas de atividades ao longo do dia, com uma noite animada por bares, restaurantes e shows de humor.
Esse potencial existe e o nosso trabalho é mostrá-lo para os turistas mundo afora, para que eles possam conhecer nossa Fortaleza Sem Igual. Também temos uma preocupação especial com a criação de novos produtos turísticos, focados em experiências autênticas e acessibilidade. Esses são alguns dos nossos pilares de planejamento estratégico nesta gestão.
O E. | Em relação às festas de fim de ano, Réveillon e alta temporada de verão, qual é a expectativa de público para 2025/2026 e qual o impacto econômico estimado para a cidade em termos de movimentação financeira no comércio, rede hoteleira e serviços?
D. C. | Nosso Réveillon 2025/2026 será histórico, uma festa que será descentralizada, com polos na Messejana e no Conjunto Ceará, além do tradicional Aterro da Praia de Iracema. Nossa expectativa de público é de 1 milhão de pessoas espalhadas nos três polos no dia 30 e de 1,5 milhão no Aterro, na virada do ano. Esperamos receber 700 mil turistas, o que deve garantir uma ocupação hoteleira de 95% e um impacto financeiro direto de R$ 3,6 bilhões. Estamos muito animados para essa festa, que marca o início das comemorações dos 300 anos de Fortaleza. Teremos atrações nacionais e locais em todos os polos, nomes grandes como Luan Santana, Xand Avião, Paralamas do Sucesso, Cláudia Leitte entre muitos outros. Será um momento belíssimo de comemoração e boas vindas ao novo ano.
O E. | Quais investimentos em infraestrutura turística e qualificação profissional estão previstos para os próximos anos, a fim de melhorar a experiência do visitante e consolidar Fortaleza como um dos principais destinos turísticos do país?
D. C. | Sempre que falamos em obras de infraestrutura, esse é um trabalho conjunto realizado pela Setfor junto com outras pastas, como a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf). Temos como meta a requalificação da Praia do Futuro, com foco no desenvolvimento turístico e do polo hoteleiro. Com relação a qualificação profissional, temos na secretaria a nossa Escola do Turismo, que oferta cursos gratuitos e de curta duração, em parceria com instituições de ensino, associações e entidades do trade turístico. Também temos uma parceria firme com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), que realiza cursos profissionalizantes que ajudam a formar mão de obra para o mercado turístico.
O E. | Como a Secretaria pretende diversificar a oferta turística da capital, valorizando turismo cultural, gastronômico e de eventos ao longo de 2026?
D. C. | Nossos objetivos estratégicos não só para 2026 mas até o fim da nossa gestão incluem o foco no turismo de base comunitária, um cuidado especial em criar um turismo inclusivo, diverso e criativo e o desenvolvimento de produtos turísticos e experiências autênticas. Nossa gastronomia é um ponto atrativo muito importante e queremos desenvolver esse segmento como produto turístico, com a realização de feiras e festivais, como o Festival Gastronômico da Praia do Futuro, que teve recentemente sua segunda edição. Um dos nossos grandes objetivos também é consolidar Fortaleza como Destino Turístico Inteligente (DTI), com gestão baseada em dados, inovação e sustentabilidade. Esses são alguns dos pilares da nossa gestão.
“No Réveillon, esperamos receber 700 mil turistas, o que deve garantir uma ocupação hoteleira de 95% e um impacto financeiro direto de R$ 3,6 bilhões”
