Economia

Serviços recuam 6,4% no Ceará e turismo tem pior resultado do país

O volume de serviços no Ceará caiu 6,4% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, uma das maiores retrações regionais registradas no país no período. O resultado contrasta com o desempenho nacional, já que o setor de serviços no Brasil avançou 1,9% no confronto mensal. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nessa quinta-feira (11/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
No acumulado de janeiro a abril, o setor também apresenta desempenho negativo no estado, com perda de 5,1% no volume de serviços. Segundo os dados da pesquisa, o Ceará exerceu a influência negativa mais importante sobre o índice nacional no primeiro quadrimestre do ano, evidenciando um quadro de desaceleração mais intenso do que o observado na média brasileira.
A retração foi disseminada entre as grandes atividades investigadas pelo IBGE. O grupo de outros serviços registrou a queda mais acentuada, de 14,9%, seguido por serviços prestados às famílias, com baixa de 11,1%. Também houve recuo relevante em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, segmento que caiu 10,6% em abril.
As demais atividades também ficaram no campo negativo, embora com perdas mais moderadas. Os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,4%, enquanto os serviços de informação e comunicação tiveram queda de 1,3%.
O resultado mostra que a perda de ritmo no setor não ficou concentrada em um único segmento. A queda em serviços prestados às famílias e em turismo aponta para menor dinamismo em atividades ligadas ao consumo, lazer, alimentação, hospedagem e circulação de pessoas. Já o recuo em transportes e serviços auxiliares sugere impacto também em atividades associadas à logística, mobilidade e funcionamento das cadeias produtivas.
Apesar da queda no volume, a receita nominal de serviços no Ceará cresceu 0,9% em abril. O avanço, no entanto, ficou bem abaixo da média nacional, que registrou alta de 8,1%. A diferença entre volume e receita indica que, embora o faturamento nominal tenha apresentado leve crescimento, a quantidade efetiva de serviços prestados recuou de forma expressiva.
No estado, a receita foi puxada por serviços profissionais, administrativos e complementares, que cresceram 5,2%, além de serviços de informação e comunicação, com alta de 1,9%, e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com avanço de 0,7%. Em sentido contrário, outros serviços tiveram queda de 9,2% no faturamento, enquanto os serviços prestados às famílias recuaram 4,4%.
O turismo cearense também enfrentou dificuldades em abril. O volume de atividades turísticas no estado caiu 11,9% em relação ao mesmo mês de 2025. No Brasil, a retração do turismo foi menor, de 1,5%. No acumulado do primeiro quadrimestre, o Ceará registra queda de 3,9% no indicador de atividades turísticas, o pior desempenho do país para esse recorte.

Fonte: O Estado CE

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