Salário mínimo sobe 6,79%, mas inflação reduz ganho real em 2026
O salário mínimo nacional passou de R$ 1.518, em 2025, para R$ 1.621 em 2026, um reajuste nominal de 6,79%. No entanto, a inflação continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras e reduzindo o poder de compra dos trabalhadores.
Segundo o dado informado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,58% entre janeiro e setembro de 2026. No mesmo período, a inflação encareceu produtos e serviços essenciais, como alimentos, transporte, energia e moradia.
Na prática, quando os preços sobem, parte do aumento salarial é consumida pelo custo de vida. Considerando a comparação entre o reajuste nominal de 6,79% e a inflação acumulada de 4,58%, a diferença é de 2,21 pontos percentuais. O ganho real exato, porém, depende de comparar períodos equivalentes: o reajuste do salário mínimo entrou em vigor em janeiro, enquanto o índice acumulado precisa corresponder ao mesmo intervalo de referência.
O impacto é sentido principalmente por quem destina a maior parte da renda às despesas básicas. Mesmo quando o salário aumenta acima da inflação medida pelo índice geral, a percepção do trabalhador pode ser diferente, pois os preços dos itens que mais pesam em seu orçamento podem subir em ritmo superior à média.
O desafio, portanto, não é apenas aumentar o salário mínimo, mas preservar o poder de compra. O aumento nominal representa mais dinheiro na folha de pagamento; o ganho real depende de quanto desse valor permanece disponível depois que as despesas são pagas.

Por Fábio Tajra — Jornalista
