Fortaleza

Projeto transforma realidade de quase500 famílias na Favela Inferninho

Por muito tempo, a Favela Inferninho, em Fortaleza, foi sinônimo de vulnerabilidade social. Falta de infraestrutura, dificuldades de acesso a serviços básicos e oportunidades limitadas faziam parte da rotina de muitas famílias. Hoje, porém, a comunidade vive uma nova realidade.
A organização social Gerando Falcões anunciou a conclusão do processo de revitalização da comunidade por meio da tecnologia social Favela 3D, que é uma metodologia que busca transformar territórios marcados pela pobreza em espaços dignos, desenvolvidos e conectados.

O projeto impactou diretamente a vida de 495 famílias e contou com parcerias da ONG Pensando Bem, além do apoio de instituições como Citi, Ok Energy e grupos empresariais locais. Mais do que mudanças estruturais, a iniciativa representa uma transformação profunda na vida de centenas de moradores.Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Antes do projeto, pouco mais da metade dos moradores tinha algum tipo de ocupação profissional. Hoje, esse índice saltou de 53% para 80%. O avanço também se refletiu na educação: o índice de alfabetização da comunidade passou de 69% para 91%.

Avanços em
empregabilidade
e educação
A melhoria da infraestrutura também foi significativa. Quando o projeto começou, apenas 11% dos espaços da comunidade estavam revitalizados. Com a conclusão das intervenções, toda a área foi recuperada. Ruas, moradias e espaços coletivos passaram por melhorias que impactam diretamente na qualidade de vida dos moradores.Outro resultado importante foi o retorno de moradores à sala de aula. Ao todo, 114 pessoas voltaram a estudar por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), abrindo novas possibilidades de futuro.

Paralelamente, equipes realizaram 2.496 atendimentos de saúde, que incluíram vacinação, orientação médica e suporte psicossocial.Para Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, a experiência na comunidade reforça uma ideia central do trabalho da organização.“Favela é sinônimo de potência. O que fizemos na Favela Inferninho foi provar que, com método, tecnologia social e acompanhamento próximo das famílias, é possível romper o ciclo da pobreza e construir dignidade de forma estrutural”, afirma.Um dos instrumentos utilizados para acompanhar o progresso das famílias foi o chamado “Dignômetro”, ferramenta criada pela própria organização para medir o nível de vulnerabilidade social nas comunidades.
Orientado por 10 perguntas-chave, o Dignômetro avalia dimensões essenciais da vida, como moradia, alimentação, educação, saúde, saneamento, acesso à água, geração de renda, poupança, conectividade e bens essenciais. O objetivo é que cada família responda “sim” a todas as perguntas, indicando condições plenas de dignidade

O indicador avalia aspectos essenciais da vida cotidiana, como acesso à moradia adequada, alimentação, educação, saúde, saneamento, água potável, geração de renda, poupança, conectividade e bens básicos.No início do projeto, apenas 16% das famílias da comunidade viviam em condições consideradas dignas. Após a implementação das ações, esse percentual subiu para 53%.
Para Rutênio Florêncio, líder social da Favela Inferninho e CEO da ONG Pensando Bem, os resultados vão além das estatísticas.“Mais do que números, estamos falando de trajetórias que mudam.

Melhoria de
vida e acesso
Cada pessoa que volta a estudar, cada família que conquista uma renda estável, está construindo um futuro diferente para si. Temos muito orgulho de fazer parte dessa transformação”, destaca.Outro componente importante foi o programa Decolagem, que estabelece metas individuais para que cada família avance em sua jornada de autonomia econômica e social.
Ao todo, 485 famílias participaram da iniciativa, recebendo acompanhamento próximo, mentoria e orientação para superar desafios cotidianos.A conclusão do projeto na Favela Inferninho marca um passo importante na tentativa de enfrentar a pobreza de forma estruturada e contínua. Para os moradores, no entanto, a mudança mais visível não está apenas nos indicadores mas na esperança renovada de que um futuro diferente é possível.

Por Priscila Sampaio/OE

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