Praça dos Voluntários concentra pessoas em situação de rua, que se dizem “invisíveis”
Bancos e árvores se tornaram abrigo de cerca de 40 pessoas na Praça dos Voluntários, no Centro de Fortaleza. A poucos metros da Praça do Ferreira, o local registrou aumento no fluxo de pessoas em situação de rua após o fechamento do espaço vizinho para obras de requalificação.
As roupas estendidas nos bancos da praça, as redes de descanso amarradas entre árvores e os colchões improvisados no chão expõem parte do cotidiano de quem ocupa o espaço. “Nos sentimos invisíveis aqui”, desabafa um dos moradores.
Segundo eles, não há presença efetiva da Prefeitura de Fortaleza, com exceção da equipe de limpeza urbana, que realiza a manutenção física do espaço, mas não mantém contato direto. No local estão idosos, que representam a maioria, além de homens adultos, mulheres, crianças e até gestantes que dividem os mesmos espaços improvisados.
“Minha queixa aqui é porque ninguém vem nos ajudar. Queria que a prefeitura nos levasse para um galpão que coubesse todo mundo, aqui a gente dorme ao relento. Tomamos sol o dia inteiro, ou chuva. Quando chega a noite cada um se protege como pode. A gente mal consegue dormir porque tem que ficar vigilante”, relata uma mulher que vive em situação de rua há pelo menos cinco anos e está há um mês na Praça dos Voluntários e preferiu não se identificar.
A situação observada no local reflete os números do último relatório divulgado pelo Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), que aponta Fortaleza com aproximadamente 10 mil pessoas vivendo em situação de rua. A maior parte delas está concentrada nas regionais 12, onde o bairro Centro está inserido, além das áreas das regionais 2 e 4.
Comerciantes denunciam
Em conversa com comerciantes locais, a reportagem apurou que o fluxo de famílias instaladas na praça aumentou desde o início da reforma da Praça do Ferreira. “O movimento de pessoas em situação de rua aqui sempre foi bem forte, mas percebi que desde que iniciaram as reformas na Praça do Ferreira o fluxo de pessoas aumentou”, afirma uma comerciante que preferiu não se identificar.
A quantidade de “moradores” aumenta no período noturno, no qual o espaço dá lugar a colchões e redes. Os relatos com maior recorrência, entre os comerciantes do entorno, são a situação geral do equipamento e o aumento da presença de pessoas em situação de rua na praça, faltam assistência, organização e segurança. Eles afirmam que a única ajuda prestada diariamente vem sendo de terceiros, membros de uma igreja que levam alimentos.
O que dizem as autoridades
A reportagem procurou a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) para relatar a situação. Em nota, o órgão reforçou que, semanalmente, realiza abordagens sociais para atender pessoas em situação de rua, como apoio de escuta qualificada e orientação sobre a rede de serviços socioassistenciais.
“São disponibilizados encaminhamentos para a retirada de 2ª via de Documentação Civil, além de benefícios, como Bolsa Família, Aluguel Social, Acolhimento Institucional, quatro Refeitórios Sociais e dois Centros de Referência Especializados e um de Convivência. A SDHDS reforça, ainda, os serviços de alimentação, como os 17 pontos de sopa do Programa Fortaleza Sem Fome, o Espaço de Higiene Cidadã e as Pousadas Sociais”, ressalta a SDHDS.
Em relação a infraestrutura, a Secretaria Regional (SER) 12 informou para jornal O Estado que está ciente da situação da Praça dos Voluntários e que uma equipe técnica já esteve no local para identificar as demandas, pois a praça será incluída no cronograma de obras da gestão, entretanto, o órgão não sinalizou sobre prazos.
Por Caroline Hamaty,
colaborou Hyago Felix
