Economia

Nova taxa Selic chega em setembro ao patamar projetado para dezembro

Copom define nova taxa Selic em 13,75% ao ano, patamar projetado pelo Focus para dezembro. Inflação e atividade passam a pesar nos próximos passos.
Nova taxa Selic de 13,75% ao ano após decisão do Copom
Copom reduziu a nova taxa Selic para 13,75% ao ano na reunião de setembro de 2026.(Imagem: Editorial).

A nova taxa Selic, de 13,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (16), produziu uma coincidência relevante para os próximos meses: a taxa chegou em setembro exatamente ao nível que a mediana das projeções do mercado financeiro esperava para o encerramento de 2026.

O Copom reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo do ciclo. No Focus mais recente, referente às expectativas coletadas até 11 de setembro, a mediana também apontava 13,75% para a Selic no fim deste ano.

A coincidência, porém, não significa que o ciclo de redução terminou. O Focus reúne expectativas de instituições do mercado e não constitui orientação do Banco Central. O próprio Copom evitou antecipar suas próximas decisões e manteve os movimentos seguintes dependentes da evolução dos dados econômicos.

Nova taxa Selic muda a referência para os próximos cortes

Com a taxa efetiva agora no mesmo patamar que o Focus projetava para dezembro, uma eventual redução adicional ainda em 2026 colocaria a Selic abaixo daquela mediana. Isso é uma consequência da comparação entre os dois níveis, e não uma previsão de novo corte pelo Banco Central.

Também existe divergência por trás da mediana. Parte das instituições ainda enxergava espaço para reduções adicionais até dezembro, segundo a cobertura do mercado, enquanto a projeção central do Focus indicava 13,75% no encerramento do ano. A próxima atualização das expectativas poderá mostrar se a decisão desta quarta-feira alterou essa referência.

Inflação e atividade entram na conta dos próximos passos

A trajetória da inflação continua sendo uma das restrições para novas reduções. No Focus de 11 de setembro, a mediana para o IPCA de 2026 estava em 4,90%, enquanto a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) era de 1,89% no ano.

O comunicado do Copom também preservou uma avaliação cautelosa dos riscos inflacionários. O Comitê manteve os riscos para a inflação mais elevados que o usual e com assimetria para cima. Por isso, alcançar antecipadamente a taxa que o Focus projetava para dezembro não transforma 13,75% em piso, teto ou taxa terminal definida pelo Banco Central.

Do lado da atividade, outro dado passa a compor esse acompanhamento. O IBC-Br divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira recuou 0,2% em julho ante junho, considerando a série com ajuste sazonal. Foi a segunda queda mensal consecutiva, após retração de 0,6% em junho ante maio.

A composição de julho mostrou queda de 1,2% na agropecuária e de 0,4% na indústria, enquanto os serviços ficaram estáveis. Na comparação com julho de 2025, o IBC-Br avançou 1,1%. Os resultados mensais e interanuais utilizam bases distintas e, portanto, não devem ser comparados diretamente.

O que observar após a nova taxa Selic

A partir de agora, inflação corrente, expectativas para os preços, ritmo da atividade e os riscos identificados pelo Copom ajudam a definir o espaço para as próximas decisões. A própria comunicação do Comitê condiciona a magnitude total do ciclo às novas informações disponíveis, sem estabelecer antecipadamente outro corte.

A próxima reunião do Copom está prevista para novembro, depois das eleições. Até lá, novas leituras de inflação, atividade e expectativas do Focus permitirão observar se a referência de 13,75% para dezembro permanece ou será revista pelo mercado.

A nova taxa Selic coloca, portanto, a projeção do mercado diante de um teste concreto: o nível esperado para o fim de 2026 já foi alcançado em setembro, enquanto o Banco Central mantém os próximos passos em aberto. O comportamento dos indicadores até a reunião de novembro será determinante para mostrar se o mercado continuará enxergando 13,75% no encerramento do ano.

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