Não Aos Podres Poderes
A condenação do ex-presidente da República pelo STF e o descontentamento da sociedade com a PEC Da Blindagem, ocorridas num hiato de uma semana, condicionaram que Podres Poderes sintetizasse o momento que estamos vivenciando. Tornando-se uma espécie de hino desse contexto.
Em um domingo ensolarado, as ruas das capitais brasileiras estavam tomadas por homens e mulheres (de raças, credos, profissões e gêneros) que faziam um carnaval sob protestos de “Não a PEC da Bandidagem”; “Não A Anistia “.
Mais do que um mero “carnaval”, esse ato representou um pleno descontentamento da população que convive, durante anos(séculos), com as adversidades que, segundo as palavras de Caetano Veloso, morrer e matar de fome, raiva e sede são gestos naturais. Talvez, hoje, seja extremamente banal.
Essa banalidade, diga-se de passagem, responde a indagação feita por Caetano, em sua música, como a confirmação da incompetência de um pais (continente) que se denomina cristão o qual, em nome da Fé, prega um fajuto puritanismo. Influenciando, cada vez mais, parte da sociedade que, por sua vez, termina elegendo vários caudilhos.
Tem sido assim, desde sempre, até que é chegado o momento de questionar a precisão de um país ser governado, tiranicamente, por essas figuras messiânicas.
Caetano, não se iluda, essa sua retórica não é, e jamais foi, estúpida como você mesmo afirmava! Talvez, seja por isso que ela tenha sido ouvida, por mil anos, até que, passado muito tempo, a população, finalmente, vem tomando consciência das perduráveis mazelas que rodeiam o nosso país.
Por
Eric do Vale
Jornalista e Advogado
