“Juro precisa cair ou quebramos”: gestores alertam contra renda fixa atrelada ao CDI
Com “altas chances” de recessão em 2027, fiscal “debilitado” e ajustes possíveis apenas com um “esforço enorme”, três dos principais gestores do País preferem a exposição a títulos de inflação ante papéis atrelados ao CDI, diante de uma situação fiscal do Brasil que precisaria ser definida “por bem ou por mal” nos próximos meses.
“Temos probabilidade muito alta de recessão contratada para o ano que vem, independentemente da eleição, e chance muito baixa de o BC ter que puxar os juros”, avalia Bruno Cordeiro, sócio da Kapitalo Investimentos e gestor do fundo multimercado K10, em participação na Expert XP.
Nesse cenário, diz, a renda fixa “tem um bom valor, apesar do problema do endividamento (do País)”. Para o gestor, os pós-fixados não são a melhor opção para o investidor e perdem para os títulos atrelados à inflação e até para os prefixados de curto prazo.
Já João Landau CIO e sócio-fundador da Vista Capital, classifica o CDI como perdedor se os juros caírem — por conta do risco de reinvestimento — ou se a Selic subir, cenário em que o IPCA+ é ainda mais favorável.
Ele avalia que o próprio Tesouro Nacional dá sinais de que o Brasil está entrando em dominância fiscal ao ter problemas para emitir NTN-Bs (títulos do Tesouro IPCA+) a 8%. “O Tesouro está basicamente dizendo que esse juro precisa cair ou quebramos”.
