Internet via satélite da Brisanet entra em setor dominado pela Starlink
A iniciativa coloca a operadora nordestina em um segmento que também atrai grandes empresas de telecomunicações. A Vivo, por exemplo, já realiza testes de conexão direta com celulares utilizando tecnologia da Starlink, empresa de Elon Musk, que domina o mercado brasileiro de banda larga fixa por satélite.
Embora atuem com propostas semelhantes para a telefonia móvel, nenhuma das duas soluções está disponível comercialmente no país. Além disso, a concorrência dependerá da implantação das redes e das condições de oferta.
Internet via satélite da Brisanet aposta em modelo diferente da Starlink
O Brasil registrou 1,096 milhão de acessos de banda larga fixa por satélite em agosto de 2026, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) compilados pela Teleco. A Starlink liderava esse mercado com 937 mil acessos (85,5%), seguida pela Hughes, operadora especializada em internet via satélite, com 118 mil. A Claro, que também atua na telefonia móvel e na banda larga, tinha 16 mil acessos, enquanto a Viasat, outra fornecedora de conectividade por satélite, registrava 11 mil.
Esses números se referem à internet fixa, utilizada em residências e estabelecimentos. A internet via satélite da Brisanet tem outra proposta: conectar smartphones compatíveis diretamente aos satélites da AST SpaceMobile, sem antenas individuais, para complementar a cobertura móvel em regiões sem sinal terrestre.
Expansão dos satélites ainda limita a concorrência comercial
Apesar dos avanços, a AST SpaceMobile conta com 13 satélites em órbita terrestre, número ainda insuficiente para garantir cobertura contínua no Brasil. A empresa precisará ampliar sua constelação para oferecer conexão de internet via satélite da Brisanet permanente aos celulares.
A operação também exigirá investimentos em terra. Pelo acordo, Brisanet, Unifique e Iez! Telecom deverão disponibilizar frequências de 700 MHz e preparar suas redes para a integração com os satélites. As condições definitivas do contrato ainda estão em negociação, e o início do serviço depende das autorizações regulatórias pertinentes.
A Vivo está em uma etapa diferente: já realiza testes com a Starlink e possui autorização experimental da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prorrogada até 22 de abril de 2029. Essa permissão, porém, não equivale à autorização para exploração comercial do serviço.
Por enquanto, a internet via satélite da Brisanet não tem preços, planos ou data de estreia divulgados. A disputa com a Vivo dependerá da conclusão das etapas técnicas e regulatórias, sem garantia de qual projeto chegará primeiro aos consumidores.
