Economia e Empreendedorismo

Intenção de consumo das famílias atinge maior nível desde maio de 2024

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,6% em fevereiro, já descontados os efeitos sazonais, alcançando 104,3 pontos, o maior patamar desde maio de 2024, quando havia atingido 104,5 pontos. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e indicam um ambiente de consumo mais favorável no início de 2026.

Na comparação com fevereiro de 2025, o indicador apresentou crescimento de 1,5%, consolidando o terceiro mês consecutivo de alta nessa base de comparação. O principal vetor do resultado foi o subíndice Momento para Compra de Duráveis, que registrou avanço de 4% no mês e expressiva alta de 10,6% no acumulado anual. Com isso, o componente atingiu o nível mais elevado desde abril de 2015. Atualmente, 35,9% das famílias avaliam que o cenário é propício para a aquisição de bens como eletrodomésticos, móveis e veículos.

Segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o início de 2026 apresenta sinais mistos na economia, com oscilações consideradas naturais no curto prazo. Ele ressalta, no entanto, que o país enfrenta debates relevantes, como a redução da carga horária de trabalho e a adaptação das empresas à reforma tributária, o que exige estabilidade para sustentar o crescimento.

A economista da CNC, Catarina Carneiro, atribui o avanço do consumo, sobretudo de duráveis, ao comportamento recente da inflação. De acordo com ela, a desaceleração dos preços nesse segmento tem sido determinante. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumulou alta de 4,44% em 12 meses, a inflação dos bens duráveis ficou em apenas 0,85% no mesmo período, ampliando o poder de compra relativo das famílias para esses produtos.

Apesar do avanço do índice geral, os indicadores ligados ao mercado de trabalho e à renda demonstraram cautela. Os componentes Emprego Atual e Renda Atual recuaram 0,7% cada na comparação mensal, interrompendo uma sequência de altas iniciada em novembro do ano passado. No recorte anual, a percepção sobre o emprego também apresentou leve queda de 0,3%.

A retração está associada à dinâmica do mercado de trabalho no fim de 2025. Embora a taxa de desemprego tenha encerrado o ano no menor nível histórico, de 5,1%, o ritmo de geração de vagas perdeu fôlego, com crescimento de 2,7% em 2025, abaixo dos 3,7% registrados em 2024. Esse cenário tem impactado a Perspectiva Profissional, que acumula queda anual de 5,2%, refletindo maior prudência das famílias quanto ao futuro da renda.

No recorte por faixa de renda, as famílias que recebem até 10 salários mínimos foram as principais responsáveis pelo avanço anual do indicador, com alta de 2,1% frente a fevereiro do ano passado. Para esse grupo, o subíndice Momento para Duráveis apresentou expansão de 13,6% em 12 meses, evidenciando maior sensibilidade às condições de crédito e à desaceleração dos preços. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, houve recuo de 0,7% na comparação anual.

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