Ceará

Indústria calçadista recua e inicia ano sob pressão de importações

A indústria brasileira de calçados encerrou 2025 com retração na produção, refletindo um ambiente econômico adverso tanto no mercado interno quanto no externo. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, foram produzidos 847,5 milhões de pares no ano, uma queda de 1,9% em relação ao período anterior.

O desempenho do setor será detalhado no próximo dia 15 de abril, durante o evento on-line “Análise de Cenários”, que reunirá especialistas para discutir os resultados consolidados de 2025 e as perspectivas para 2026. A apresentação contará com a participação da economista Priscila Linck, coordenadora de Inteligência de Mercado da entidade, e do economista Marcos Lélis, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

De acordo com a análise da entidade, a retração foi provocada por uma combinação de fatores. No mercado doméstico, a demanda enfraquecida, especialmente no segundo semestre, foi influenciada pelo alto nível de endividamento das famílias e pelo patamar elevado das taxas de juros, que reduziram a renda disponível para consumo. Nesse contexto, o consumo interno de calçados registrou queda de aproximadamente 2%.

No cenário internacional, o setor também enfrentou dificuldades. As exportações foram impactadas pela imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro no segundo semestre, além do enfraquecimento da demanda na Argentina, dois dos principais destinos das vendas externas. Como resultado, o coeficiente de exportação caiu para cerca de 12% da produção, abaixo da média histórica da última década, com recuo de 1,8% no valor exportado em 2025.

O início de 2026 mantém o setor sob pressão. Dados preliminares indicam que, no primeiro bimestre, as exportações caíram 18,9% em volume, enquanto as importações cresceram 23%, ampliando a concorrência no mercado interno. A produção também já reflete esse cenário adverso, com retração de 11,4% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A avaliação do setor é que a indústria calçadista enfrenta um momento de transição, marcado por desafios estruturais e conjunturais. A perda de dinamismo no consumo interno, aliada à maior penetração de produtos importados e às incertezas no comércio internacional, impõe a necessidade de ajustes estratégicos por parte das empresas.

As perspectivas para 2026 ainda são cercadas de incertezas, com o desempenho do setor condicionado à evolução da economia doméstica, à trajetória dos juros e à recomposição da demanda externa. O evento promovido pela Abicalçados deve trazer projeções mais detalhadas e indicar possíveis caminhos para a recuperação da atividade.

Redação O Estado CE

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