Fortaleza terá usina na Praia do Futuro que transforma água do mar em água potável
A usina de dessalinização de água do mar de Fortaleza teve as obras autorizadas e entra na fase de execução após anos de estudos e da solução de um impasse envolvendo cabos submarinos de telecomunicações instalados na Praia do Futuro. Quando entrar em operação, o empreendimento deverá produzir água potável para abastecer cerca de 720 mil moradores da capital cearense. O projeto será executado por meio de uma parceria público-privada (PPP) entre a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e o Consórcio Águas de Fortaleza, com investimento superior a R$ 3 bilhões e previsão de conclusão em dois anos.
O início da construção representa uma nova etapa do Projeto Dessal, desenvolvido desde 2017. Ao longo desse período, o empreendimento passou por estudos de viabilidade, análises de impactos ambientais e sociais e pelo processo de licenciamento necessário para sua implantação. A previsão inicial era que as obras começassem em 2024, mas o cronograma precisou ser alterado por causa da necessidade de adequação do projeto.
Obras da usina serão executadas em três frentes
A execução da obra será dividida em três blocos que poderão ocorrer de forma paralela. Um deles prevê a preparação de dois reservatórios que receberão a água tratada. Outra frente corresponde à construção da usina na faixa litorânea. A terceira etapa envolve a instalação do sistema de captação da água diretamente no mar.
Segundo o coordenador do Projeto Dessal, Silvano Porto, a infraestrutura terrestre precisa estar pronta antes do funcionamento da planta. Ele falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o tema:
“A gente precisa de uma grande tubulação, que a gente chama de adutoras, que vão ser construídas nas cidades interligando esses reservatórios. E desses reservatórios a gente tem interligação, a gente tem a conexão com a planta que vai produzir água. Então, antes da planta iniciar sua operação, é necessário que nossa infraestrutura em terra esteja em total condições de receber.”
As adutoras serão responsáveis por conectar os reservatórios ao sistema de produção de água, permitindo que o abastecimento seja integrado à rede existente.
Projeto enfrentou impasse com cabos submarinos
O principal obstáculo para o início das obras surgiu devido à proximidade entre a estrutura originalmente prevista para a usina e os cabos submarinos de internet localizados na Praia do Futuro.
O projeto inicial previa uma distância de aproximadamente 50 metros entre a planta e essa infraestrutura. Empresas do setor de telecomunicações alertaram que as obras poderiam comprometer os cabos, provocando interrupções nos serviços de internet no Nordeste e em outras regiões conectadas por essas redes.
A solução encontrada foi alterar o posicionamento da usina, aumentando a distância para cerca de 500 metros.
Silvano Porto explicou à equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza como o impasse foi solucionado:
“A solução desse impasse se deu pelo deslocamento das infraestruturas em mar e também em terra. Antes elas estavam próximas a essa região, elas foram deslocadas em cerca de 500 metros. E para que isso pudesse ser realizado, a SPU, a Secretaria do Patrimônio da União, cedeu o terreno da União para que a planta pudesse ser instalada nesse local, a essa distância.”
Com a mudança, o cronograma pôde avançar para a fase de execução.
Como a água do mar será transformada em água potável
O funcionamento da usina envolve diversas etapas até que a água captada no mar esteja adequada para o consumo humano.
Primeiro, a água passa por um processo de pré-tratamento. Em seguida, ocorre a dessalinização, etapa em que o sal é separado da água. Depois disso, o líquido passa por um novo tratamento para receber os componentes necessários antes de ser encaminhado aos reservatórios que abastecerão Fortaleza.
Silvano Porto detalhou esse processo.
“Nessa região da praia, a gente tem todas as unidades que respondem, desde o pré-tratamento, o preparo dessa água que vem do mar, depois a dessalinização em si, a separação de uma água salgada, a transformação em uma água doce, depois o retrabalho dessa água que foi dessalinizada. Ou seja, remineralização, adição de flúor, adição de cloro, correção de pH e outros elementos. E só então o transporte e o envio para esses reservatórios. Só então que a gente tem a água, de fato, dessalinizada e própria para consumo humano.”
Após essas etapas, a água será integrada ao sistema de abastecimento da capital.
Investimento supera R$ 3 bilhões
O empreendimento será executado pela parceria entre a Cagece e o Consórcio Águas de Fortaleza, com investimento superior a R$ 3 bilhões.
A previsão é de que as obras sejam concluídas em dois anos, período em que serão executadas simultaneamente as intervenções na planta industrial, na captação marítima e na infraestrutura de distribuição.
GC+
