Focos de incêndio no Ceará aumentam 9,6% e período seco acende alerta
O Ceará entra entre setembro e novembro em um período de maior atenção para as queimadas. As altas temperaturas, a baixa umidade do ar e a temporada de ventos criam condições favoráveis para a propagação do fogo na vegetação. Em 2025, o Estado registrou 7.851 focos de incêndio, 9,6% a mais que os 7.160 identificados no ano anterior.
Mas por que esses três meses exigem atenção? E quais regiões do Ceará estão mais expostas aos efeitos das queimadas? Além do risco de propagação do fogo, os incêndios também podem atingir a rede elétrica e provocar interrupções no fornecimento de energia.
Setembro, outubro e novembro são meses críticos para as queimadas
Os meses de setembro, outubro e novembro, conhecidos como “BRO-Bró”, apresentam condições de tempo quente e seco em diferentes áreas do Ceará. Segundo o meteorologista da Funceme Frank Baima, no sul do estado as temperaturas podem superar 40°C, enquanto a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30% e até 20%.
“Entre os meses do chamado BRO-Bró, setembro, outubro e novembro, temos condições de temperaturas acima de 40 graus, principalmente no sul do Ceará, e umidade relativa abaixo dos 30%, 20%, caracterizando o tempo quente e seco naquela região. No noroeste do estado também temos bastante ocorrência de queimadas; há um tempo quente, um pouco abafado, mas seco também. Então, com a temporada dos ventos, torna-se um cenário propício para a propagação do fogo na vegetação. E, consequentemente, as queimadas, que são uma ação agro-pastoril controlada, elas fogem de controle, favorecendo o início dos incêndios florestais no estado do Ceará”, explicou.
A combinação de calor, baixa umidade e ventos favorece a propagação das chamas. Os registros de focos de incêndio no Ceará se concentram principalmente entre julho e dezembro, período em que as condições do tempo contribuem para o avanço do fogo.
Focos de incêndio no Ceará aumentaram 9,6% em 2025
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o Ceará registrou 7.851 focos de incêndio em 2025. Foram 691 registros a mais que em 2024, quando o estado contabilizou 7.160 focos.
O crescimento foi de 9,6% em um ano. O número também representa uma diferença expressiva em relação ao cenário de cinco anos antes: em 2020, foram identificados 3.979 focos no Ceará.
Em 2025, portanto, o total ficou praticamente duas vezes acima do registrado em 2020. Os registros se concentram principalmente entre julho e dezembro, período que reúne as condições mais favoráveis à propagação das chamas.
Quais regiões do Ceará concentram mais focos
Entre as áreas mais atingidas estão o Sul do Ceará e o Sertão Central. A região do Cariri e o noroeste do Estado também aparecem entre os locais que demandam mais atenção.
“Há alguns municípios que podemos destacar: Crateus, Missão Velha, Santa Quitéria e Boa Viagem, que são os municípios campeões. A Funceme trabalha com satélite de referência. Então há nesses cenários, no sul do estado, na região do Cariri, sul do sertão central e na região noroeste do estado, que são as regiões mais impactadas pelo fogo”, afirmou Frank Baima.
Segundo a explicação da Funceme, as condições de tempo quente e seco, associadas aos ventos, podem fazer com que queimadas realizadas de forma controlada escapem do controle e favoreçam o surgimento de incêndios florestais.
Queimadas também podem provocar falta de energia
O fogo também representa risco quando se aproxima da rede elétrica. Postes, cabos e outros equipamentos podem ser danificados pelas chamas, provocando interrupções no fornecimento e criando situações de risco para a população.
Em 2025, a Enel registrou 74 ocorrências de queimadas que atingiram a rede elétrica no Ceará. Os episódios prejudicaram o fornecimento de energia para cerca de 193 mil clientes. No ano anterior, foram 23 ocorrências, afetando quase 22 mil pessoas.
A empresa monitora os focos em tempo real em todo o estado para direcionar as equipes quando uma ocorrência ameaça ou compromete a estrutura elétrica.
Fogo próximo à rede elétrica pode romper condutores
Diego Gadelha, responsável pela manutenção da Enel Ceará, explica que uma queimada próxima à rede pode provocar danos às estruturas e interrupções no fornecimento. O rompimento de condutores também pode criar risco elétrico.
“De imediato, quando existe uma queimada próxima à nossa rede, existe dano a nossas estruturas, então tem a falta de energia para os clientes. A consequência dessas queimadas para a nossa estrutura, além de danificar a própria estrutura, é vir o rompimento de condutores. Esses condutores podem vir ao solo, caindo energizados, e aí tem um risco elétrico para a população”, explicou.
A orientação é não provocar queimadas, especialmente nas proximidades de áreas com vegetação seca durante o período de maior risco. Além dos danos à rede elétrica, o fogo pode provocar interrupções no fornecimento e oferecer riscos à população.
A Enel também orienta os clientes a comunicar a existência de pontos de queimada próximos à rede elétrica.
“Os clientes podem colaborar ligando para o nosso 0800-285-0196, informando que existe um ponto de queimada próximo à nossa rede, e a gente direciona as nossas equipes”, orientou Gadelha.
GC+
