FIEC leva oportunidades de investimentos no Ceará a empresas italianas

A busca por novos negócios internacionais colocou os investimentos no Ceará no centro de um encontro entre empresas brasileiras e italianas nesta quarta-feira (16). Na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), data centers, hidrogênio verde e geração eólica offshore foram apresentados como oportunidades durante evento realizado pela Italian Trade Agency (ITA).
O encontro não resultou, até o momento, em anúncio de contratos ou valores de investimentos das companhias italianas. O avanço concreto ocorreu na aproximação comercial: depois do seminário pela manhã, empresários participaram de reuniões B2B com representantes das italianas 2M Project, CESI, SIEL e TECHNITAL. A ITA também apresentou outras empresas da delegação e facilitou conexões para possíveis negócios e cooperação.
O gerente de Desenvolvimento Sustentável do Sistema FIEC, Joaquim Rolim, afirmou que há interesse das companhias presentes em estabelecer relações comerciais no Estado. “É um evento muito importante por tratar de temas relevantes, como transição energética, descarbonização e energia. Além disso, conta com a participação de empresas italianas que têm interesse em realizar negócios com empresas cearenses”, disse.
Durante o seminário, o consultor de Energia do Sistema FIEC, Jurandir Picanço, apresentou aos empresários italianos três frentes de oportunidade no Ceará: hidrogênio verde, instalação de data centers e geração de energia eólica offshore.
Investimentos no Ceará já colocam data centers em escala bilionária
Entre as áreas apresentadas, data centers já têm projetos de grande porte no Estado. Em agosto, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou um projeto da Voltalia Energia do Brasil para instalar um data center na ZPE do Pecém.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o empreendimento prevê R$ 181,7 bilhões em investimento, além de 2.300 empregos diretos durante a implantação e 400 na operação. O projeto também prevê expansão de usinas eólicas e solares para atender à demanda do centro de processamento de dados.
O empreendimento da Voltalia não decorre do encontro Ceará–Itália, mas dimensiona economicamente uma das atividades que a FIEC apresentou à delegação. A distinção é importante: as reuniões desta quarta-feira abriram contatos comerciais, enquanto o projeto do Pecém já havia sido aprovado pelo CZPE.
Grandes cargas exigem expansão da infraestrutura elétrica
O avanço de atividades intensivas em eletricidade também depende da capacidade da rede. Estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em junho propõe uma solução capaz de adicionar até 4 GW de capacidade para atender cargas eletrointensivas nas regiões de Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí, a partir de 2032. Data centers e plantas de hidrogênio estão entre as cargas consideradas.
A alternativa recomendada pela EPE envolve aproximadamente R$ 5,68 bilhões em novas instalações da Rede Básica. Desse total, R$ 1,09 bilhão é recomendado para 2032, enquanto R$ 4,59 bilhões fica condicionado à concretização das cargas ao longo do tempo. O planejamento considera ainda uma nova subestação de 500 kV em Pecém e 1.848 quilômetros de linhas de transmissão.
A infraestrutura adiciona uma variável econômica às oportunidades apresentadas aos italianos: projetos de data centers e hidrogênio dependem não apenas da atração de capital, mas também da disponibilidade de energia e da expansão da transmissão prevista para atender novas cargas.
Cooperação com a Itália já deixou resultado no SENAI
O diretor regional do SENAI Ceará e superintendente do SESI Ceará, Paulo André Holanda, apontou uma experiência anterior com a Enel Ceará como exemplo de cooperação entre o Estado e a Itália. Segundo ele, uma missão técnica realizada no país europeu contribuiu para a construção do Centro de Treinamento Avançado.
“Com esse intercâmbio, trouxemos o melhor para o nosso estado. Construímos juntos o nosso Centro de Treinamento Avançado, que hoje capacita e entrega mais de 10 mil certificações profissionais por ano. E assim trabalhamos, transformando o diálogo em melhoria direta para as indústrias e as pessoas”, afirmou.
A rodada empresarial abre agora uma etapa anterior à realização de novos investimentos no Ceará: transformar as conexões entre companhias cearenses e italianas em negócios concretos. Até o encerramento do encontro, a pauta fornecida pela FIEC não registrava contrato nem investimento italiano anunciado como resultado das reuniões.
