Economia

Custo da Petrobras sobe desde 2023; pré-sal tem lifting cost de US$ 4,45

O custo da Petrobras está acima do nível de 2023, mas o pré-sal opera muito abaixo da média e concentra parcela crescente da produção da companhia.
Navios em operação de petróleo ligada à Petrobras, em pauta sobre custo de extração e pré-sal
Operação marítima ligada à cadeia de petróleo da Petrobras. A companhia amplia produção e investimentos enquanto o pré-sal mantém custo de extração inferior à média. (Foto: Divulgação)

A Petrobras chegou ao topo de um ranking que reúne algumas das maiores petroleiras do mundo, mas o custo da Petrobras ajuda a revelar uma camada menos óbvia desse resultado. Segundo levantamento divulgado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), com base em dados analisados pelo Dieese, a companhia registrou margem líquida de 29,15% no primeiro semestre de 2026, acima de Saudi Aramco, Chevron, ExxonMobil e outras gigantes. É a primeira vez desde 2020 que a Petrobras aparece no topo desse ranking de margem entre as grandes petroleiras analisadas.

A liderança não veio, porém, de uma queda generalizada do custo de extração. O indicador está acima do nível registrado em 2023, enquanto a companhia passou a produzir mais petróleo e ampliou o peso de ativos mais eficientes dentro da operação.

O pré-sal ajuda a revelar essa diferença. No segundo trimestre de 2026, o lifting cost médio no Brasil ficou em US$ 6,33 por boe. No pré-sal, foi de apenas US$ 4,45 por boe. Ao mesmo tempo, a produção própria de petróleo alcançou 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima do mesmo trimestre de 2025.

Custo da Petrobras avançou desde 2023

O indicador usado nessa comparação é o lifting cost. Ele mede os gastos diretamente ligados à execução e à manutenção da produção, sem incluir participações governamentais, depreciação, depleção e, nesta base, afretamento.

A trajetória dos últimos anos mostra que o custo da Petrobras não caiu:

  • 2023: US$ 5,59 por boe;
  • 2024: US$ 6,05 por boe;
  • 2025: US$ 6,35 por boe;
  • 1º semestre de 2026: US$ 6,54 por boe;
  • 2º trimestre de 2026: US$ 6,33 por boe.

Os três primeiros números são anuais. Os dois últimos correspondem ao semestre e ao trimestre, respectivamente, e não devem ser lidos como uma série anual homogênea.

Em 2025, o lifting cost aumentou 5% sobre 2024. A Petrobras atribuiu a alta principalmente a maiores gastos com escoamento de gás, integridade de plataformas, inspeções submarinas, logística e ao retorno de unidades com custos unitários mais elevados na Bacia de Campos.

Esse histórico muda a leitura do ranking internacional. A Petrobras não chegou à maior margem simplesmente porque passou a extrair petróleo cada vez mais barato. O que pesa é também onde essa produção está crescendo.

Mesmo com o custo de extração mais alto que em 2023, a Petrobras encerrou o 2T26 com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% em um ano. A estatal atribuiu o desempenho à produção maior, ao avanço das exportações e ao Brent mais alto, mostrando que a rentabilidade não depende apenas do lifting cost.

Pré-sal abre uma diferença de custo dentro da operação

Quando a produção é separada por ambiente, a distância fica evidente.

  • pré-sal: US$ 4,45 por boe;
  • pós-sal profundo e ultraprofundas: US$ 16,42 por boe;
  • terra e águas rasas: US$ 18,86 por boe.

Ao mesmo tempo, o pré-sal ganhou mais espaço na operação. Sua participação na produção total de óleo e gás equivalente passou de 82% no primeiro trimestre para 83% no segundo trimestre de 2026.

A própria Petrobras relacionou esse avanço à redução do custo unitário no período.

Há outro componente nessa conta. O custo menor no pré-sal veio junto com o aumento da produção das plataformas Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, a entrada de cinco novos poços produtores na Bacia de Santos e ganhos de eficiência operacional.

E o volume cresceu.

No segundo trimestre, a produção própria de petróleo da Petrobras no Brasil alcançou 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima do mesmo período de 2025.

Isso significa que uma parcela cada vez maior do petróleo da companhia vem justamente da região onde o custo de extração é muito inferior ao de outras áreas da carteira.

Investimento coloca essa vantagem à prova

É aqui que o assunto deixa de ser apenas uma fotografia do balanço.

A Petrobras pretende investir US$ 109 bilhões entre 2026 e 2030. Desse total, US$ 69,2 bilhões estão na carteira de projetos de Exploração e Produção, e 62% desse volume de E&P está ligado ao pré-sal.

Só no segundo trimestre de 2026, foram investidos US$ 5,3 bilhões. Desse montante, 82% foram direcionados a Exploração e Produção, incluindo projetos como as plataformas P-80, P-82 e P-83, destinadas ao campo de Búzios.

Ou seja, a Petrobras está colocando bilhões na expansão da área que hoje apresenta o menor custo de extração dentro de sua operação.

Mas aí começa o próximo teste.

A própria companhia prevê custo de extração abaixo de US$ 6 por barril entre 2026 e 2030. Também projeta Custo Total do Petróleo Produzido médio de US$ 30,40 por boe no período.

Para acionistas, fornecedores e empresas que vivem da cadeia de óleo e gás, é essa combinação que importa daqui para frente: produzir mais sem perder eficiência.

O custo da Petrobras será uma das variáveis que definirão quanto dessa expansão poderá virar geração de caixa e capacidade para financiar novos projetos. A margem de 29,15% mostra onde a companhia está hoje; os investimentos no pré-sal dirão se essa vantagem conseguirá atravessar o próximo ciclo de crescimento.

Isso não significa redução automática no preço da gasolina ou do diesel. O valor dos combustíveis depende também de petróleo internacional, câmbio, refino, logística, tributos e política comercial.

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