Ceará

Ceará registra 430 denúncias de violência física contra crianças por mês

O estado do Ceará registrou 2.619 denúncias de violência física contra crianças de até 11 anos durante o primeiro semestre deste ano, conforme dados compilados pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) através da plataforma Disque 100 .

O número equivale a uma média de 430 casos registrados mensalmente e representa um salto se comparado com anos anteriores.

Desde o retorno da pandemia de Covid-19, oficialmente encerrada pela OMS em 2023, o número de denúncias ao longo dos seis primeiros meses do ano apresenta um salto de 54% quando comparado com o período janeiro-junho de 2026.

Denúncias de violência física contra crianças no Ceará nos primeiros semestres de 2020 a 2026 chart visualization Para a supervisora do Núcleo de Atendimento da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Ceará (Nadij-DPCE), Noemia Landim, o salto pode ser atribuído principalmente à uma maior vigilância e conhecimento da população sobre o que caracteriza violência e como ela pode ser denunciada.

Esse é um dos principais agravantes no contexto da violência contra crianças, já que os autores do crime são as pessoas que deveriam estar protegendo as vítimas desse tipo de perigo.Diante disso, as denúncias de terceiros, como amigos da família, vizinhos ou profisisonais de serviços públicos que tenham identificado a situação de violência, passam a ser essenciais para encerrar o ciclo de agressões.”Se já são os pais que agridem essa criança, esses pais não vão procurar notificar a violência. Essas denúncias podem ser feitas tanto por um outro familiar, como por vizinhos. Muitas vezes essas violências são percebidas no colégio e os professores e diretores têm como acionar o conselho tutelar. A gente vê no dia a dia do atendimento que as denúncias são feitas por diversas pessoas que de alguma forma têm acesso a essa situação. Os pais quando não são agressores, avós, tios…”, afirma Landim.Agressões podem prejudicar desenvolvimento psicológico das criançasAs marcas físicas não são as únicas deixadas nas crianças pelos atos de violência. Se por fora são visíveis arranhões e hematomas tendem a passar em alguns dias ou semanas, os danos causados pela agressão podem durar toda uma vida.É o que explica a psicóloga infantojuvenil Adrielle Lima, que destaca a primeira infância como momento de formação da personalidade das crianças.Essa construção se dá através do que elas experenciam no dia a dia, e em grande parte, nascem a partir de um referencial adulto que a criança possui.”Por meio dessas experiências elas constroem a sua compreensão sobre como o mundo funciona.

Quando a criança é exposta a comportamentos agressivos, isso pode gerar impactos no desenvolvimento emocional e social. Algumas podem se tornar mais retraídas, inseguras e isoladas, enquanto outras podem reproduzir esse comportamento agressivo, porque aprenderam que essa é a forma de lidar com situações difíceis”, destaca.Eventuais traumas nesses anos iniciais podem perpassar toda a infância e adolescência, chegando até a vida adulta da vítima. Quando a violência não é interrompida ou o trauma não é tratado corretamente, se abre a possibilidade levantada por Brito de que as origens de uma agressão estejam em violências sofridas pelo suspeito durante a infância.Ainda segundo Lima, dois passos são essenciais para impedir que essa violência seja passada entre gerações de uma mesma família: interromper o ciclo de agressões e tratar adequadamente o trauma vivido pela criança.”Precisa ser ensinado para elas como lidar com essas frustrações. É um trabalho muito árduo. Quando elas perdem a confiança é difícil reestabelecer um vínculo, então é mostrar para elas que nem todas as pessoas vão agir daquela forma. É nesse tratamento que nós terapeutas vamos mostrar formas mais saudáveis de comunicar [que não a agressão]”, conclui Lima.Como denunciar casos de violência contra crianças no CearáAs denúncias de episódios violentos contra crianças podem ser feitas no Ceará podem ser feitas presencialmente, online ou de forma anônima.O primeiro caminho possível é o mais convencional, com ida do denunciante e da vítima à delegacia especializada. Em Fortaleza, a unidade responsável pelos casos é a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), localizada na rua Tabelião Fabião, número 114, bairro São Gerardo.No local poderá ser aberto um Boletim de Ocorrência (B.O) e encaminhamento para realização de um exame de corpo e delito.As denúncias também podem ser feitas em uma das dez unidades do conselho tutelar na Capital, ou sedes municipais do órgão nas demais cidades do Estado.A denúncia também pode ser feita online através da plataforma Disque 100, que funciona através do mesmo número no telefone ou através do Whatsapp (61) 99611-0100.”Muitas pessoas querem denunciar mas têm medo, então elas podem fazer a denúncia através do Disque 100, por exemplo, que vai encaminhar para as autoridades competentes. Também podem procurar o Ministério Público ou a Defensoria Pública para fazer essas denúncias”, conclui Landim.Esses e outros serviços de justiça estão reunidos na Casa da Criança e do Adolescente, equipamento 24 horas administrado pela Secretaria da Proteção Social (SPS) localizado na rua Capitão Melo, 3883, no bairro São João do Tauape.

Portal O POVO​​​​​​​

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