Fortaleza

Câmara debate políticas de fomento, difusão e exibição do cinema e audiovisual na Rede Pública de ensino

A Câmara de Fortaleza realizou nesta quinta-feira (5), no Complexo das Comissões, uma audiência pública para debater a implementação de políticas de fomento, difusão e exibição de cinema e audiovisual na Rede Pública Municipal de Ensino. O debate atende ao requerimento da vereadora Mari Lacerda (PT), autora do Projeto de Lei Ordinária nº 39/2026, que busca alinhar o município à legislação federal sobre o tema.

A proposta é fundamentada na Lei Nacional nº 13.006/2014, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para incluir a exibição obrigatória de, no mínimo, duas horas mensais de cinema brasileiro como componente curricular complementar.

Segundo a vereadora Mari Lacerda, a iniciativa visa transformar as unidades escolares em espaços de conexão com a produção cinematográfica local e nacional. “Nós estamos querendo nos encontrar com essa lei aqui no município e possibilitar que as escolas sejam lugares para receber o cinema que tem sido produzido no Brasil e no Ceará. Queremos que os jovens e crianças se conectem com essa arte e também possam se ver como futuros cineastas ou profissionais das diversas produções que compõem o cinema”, destacou a parlamentar.

Para Isaac Pipano, representante da Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual, o cinema deve ser entendido como uma linguagem produtora de conhecimento e sociabilidade. Ele ressaltou que a soberania de um país também passa pelo imaginário. “É fundamental pensar que as imagens e sons produzidos aqui no Ceará e em Fortaleza se tornem os acervos endereçados a esses estudantes. Hoje, entregamos parte da construção do nosso imaginário nacional para corporações estrangeiras. Por isso, é fundamental uma política sólida para desenvolver uma cultura audiovisual brasileira, onde o estudante não seja apenas espectador, mas também realizador e criador”, afirmou Pipano.

Também presente à discussão, o representante da Secretaria Municipal de Educação (SME), Ernane Pereira, explicou que a pasta já discute a logística necessária para a implementação da lei, o que envolve desde a infraestrutura até a formação de educadores. “A implementação exige uma logística que passa por ações envolvendo a coordenadoria de ensino e de formação de professores. Estamos desenvolvendo um projeto para nos adequarmos da melhor maneira a essa política de extrema importância”, pontuou.

O secretário Executivo da Cultura, Rafael Felismino, reforçou o momento oportuno da discussão, citando a recente criação da Empresa Cearense de Audiovisual. Para ele, o projeto de lei dialoga diretamente com o fortalecimento do mercado local. “Levar isso para a escola é mostrar para o estudante que o audiovisual pode ser uma profissão e uma oportunidade de mostrar as nuances do nosso estado, para além das paisagens. Temos atores, produtores e diretores premiados, e esse mercado será ainda mais dinamizado. Essa lei encontra um ambiente legal e de fomento muito favorável no Ceará”, celebrou Felismino.

A audiência também contou com a participação de Rosy Nascimento, conselheira do Nordeste da PAN, enfatizou a importância do cinema independente para a valorização de narrativas de grupos historicamente minorizados. “Vivemos em uma sociedade diversa, com um quórum populacional amplo de pessoas negras e indígenas. Com a defesa do cinema feito por essas pessoas nas escolas, entendemos que há uma possibilidade não só de valorização dessas narrativas na realização, mas no sentido do reconhecimento nas telas”, defendeu a conselheira.

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