Calor extremo: Fortaleza e mais dez cidades do Brasil têm riscos
Um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, indicou que Fortaleza e outras dez cidades brasileiras estão vulneráveis a perigos causados pelo calor extremo. A pesquisa foi disponibilizada na revista científica Sustainable Cities and Society, e será publicada na edição de setembro do periódico.
O artigo analisou mais de 200 cidades com população acima de 1 milhão de habitantes, em todo o mundo. Foram cruzados dados socioeconômicos, como a acessibilidade econômica de ventiladores e aparelhos de ar condicionados; demográficos, como a proporção de crianças abaixo de quatro anos e idosos — grupos mais vulneráveis a ondas de calor — na população; e ambientais, como a presença de áreas verdes e a variação térmica das regiões.
O agrupamento dos dados buscou refletir diferenças entre os locais analisados. Em alguns casos, por exemplo, mesmo que as temperaturas não sejam tão altas, os riscos à saúde podem ser maiores que em lugares menos quentes, por motivos como custos elevados de energia elétrica ou o baixo acesso a ventiladores e aparelhos de ar condicionado.
Fortaleza fica em 67º lugar no ranking de riscos à saúde por calor extremo
Entre as mais de 200 cidades analisadas, Fortaleza foi listada na 67ª colocação. Quanto mais alta a posição, maior a chance de a população sofrer danos à saúde durante episódios de calor extremo. Há ainda outras dez cidades brasileiras na lista. Veja a seguir o ranking:Cidades brasileiras sob maior risco de danos à saúde por calor extremoManaus (AM): 27ª posição;Goiânia (GO): 46ª;Belo Horizonte (MG): 66ª;Fortaleza (CE): 67ª;São Paulo (SP): 77ª;Rio de Janeiro (RJ): 83ª;Brasília (DF): 88ª;Recife (PE): 89ª;Curitiba (PR): 119ª;Porto Alegre (RS): 120ª;Salvador (BA): 129ª.
Sul global concentra cidades com maiores riscos por calor extremoO estudo indicou ainda que a maioria das cidades em que a população está sob risco de saúde por ondas de calor fica no “sul global”, como são chamados países ainda em desenvolvimento e com histórico de colonização. Das 50 primeiras posições no ranking, 44 cidades ficam no sul e sudeste da Ásia ou na África subsaariana, sendo as outras seis na América Latina e no Caribe. A primeira cidade do chamado “norte global”, grupo de países economicamente desenvolvidos, é Phoenix, nos Estados Unidos, na 75ª colocação.O texto do artigo pontua que este dado corrobora o entendimento científico de que, apesar de causarem uma parte muito menor das emissões de poluentes, os países do sul global sofrem mais com os efeitos da emergência climática. Os pesquisadores adicionam que aspectos como o baixo acesso a ferramentas para atenuar os problemas causados por ondas de calor, como áreas verdes dentro do espaço urbano e preparo dos sistemas de saúde para lidar com efeitos ambientais extremos, e o rápido aumento populacional nestas regiões, representam fatores de risco adicionais.
Desigualdades sociais agravam riscos do calor à saúde em grupos vulneráveisOs cientistas reforçam ainda que o ranking apresenta uma tendência a nível populacional. Dentro das cidades, no entanto, a desigualdade social faz com que grupos mais vulneráveis, como pessoas sem condição de comprar aparelhos de ar condicionado ou ventiladores — ou que, mesmo que consigam comprá-los, não têm como pagar o consumo de eletricidade destes equipamentos — estejam mais sujeitos a problemas de saúde causados pelo calor do que pessoas de maior poder aquisitivo.Eles alertam também que é necessário pensar em soluções multifatoriais. O uso de equipamentos elétricos, por exemplo, pode ser útil para aliviar situações pontuais. Depender deles a longo prazo, no entanto, causa problemas devido ao calor produzido pelos próprios aparelhos, e, em países onde a eletricidade é gerada a partir da queima de combustíveis fósseis, ao aumento da emissão de gases poluentes, agravando as mudanças climáticas.
Soluções para calor extremo envolvem planejamento urbanoPor fim, os pesquisadores indicam que o planejamento urbano é o elemento central para mitigar danos à saúde causados por ondas de calor. Como os fatores de risco variam de acordo com o local, dizem eles, é necessário projetar soluções que levem em conta quais aspectos exigem mais atenção em cada região.
Cidades em que o problema maior são as altas temperaturas, por exemplo, devem priorizar projetos que promovam a redução na sensação térmica, como ampliar áreas de sombra. Nos locais em que houver questões estruturais a superar, é mais importante que os sistemas de saúde sejam preparados para lidar com o aumento de casos, além do desenvolvimento de ações voltadas aos grupos sob maior risco de saúde. Para as regiões com dificuldades de acesso à climatização, pode ser mais útil criar iniciativas que aumentem a disponibilidade de equipamentos e reduzam o custo da eletricidade, além de métodos de refrigeração passiva e arborização urbana.
OPOVO
