Brasil cresce abaixo do mundo e deve perder espaço entre as maiores economias
O avanço de 2,3% do PIB brasileiro em 2025, confirmado pelo IBGE nesta terça-feira (3/03), veio aquém do ritmo projetado para a economia global e tende a ter efeitos que vão além do desempenho doméstico: nas leituras internacionais mais usadas para medir “tamanho” econômico, o país deve ceder posições no ranking das maiores economias do planeta. A desaceleração já era considerada provável ao longo do ano passado, diante do ambiente de juros altos e do arrefecimento gradual da atividade a partir do segundo semestre, após um início de ano impulsionado pela agropecuária.
No retrato comparativo, o Brasil passou 2025 com crescimento parecido ao de algumas economias avançadas, como Estados Unidos e Noruega, ambos citados com 2,2%, mas ficou atrás de países que surpreenderam pelo dinamismo, caso da Espanha, com 2,6% em um contexto europeu de expansão bem menor na média da Zona do Euro (1,3%). Já a Alemanha, maior economia do bloco, aparece com apenas 0,4%, enquanto Canadá (0,7%) e Japão (0,2%) figuram na parte de baixo da tabela, reforçando o quadro de crescimento anêmico em nações que convivem com desafios demográficos, produtividade baixa e consumo contido.
Entre as economias monitoradas pela OCDE, a discrepância mais chamativa em 2025 foi a liderança da Irlanda no crescimento anual, em um desempenho associado às distorções conhecidas de sua contabilidade de PIB, muito influenciada por multinacionais, especialmente em setores intensivos em propriedade intelectual e exportações. Em estimativas anuais iniciais divulgadas pela própria OCDE, a Irlanda registrou a maior alta de PIB entre os países com dados disponíveis, com 12,6%.
