Aquecimento global deve superar 1,5°C em poucos anos; melhor cenário prevê pico de 1,8°C
O planeta deve ultrapassar o limite crítico de 1,5°C de aquecimento global nos próximos anos, e até o cenário mais otimista analisado por um novo relatório das Nações Unidas prevê que a temperatura média da Terra chegue a um pico de 1,8°C acima dos níveis pré-industriais antes de começar a cair.
A conclusão é de um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que analisa o que o mundo ainda pode fazer diante da perspectiva cada vez mais provável de ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris.
🌡️ ENTENDA: O limite de 1,5°C é a meta internacional, estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015, para conter o aquecimento global. Ele representa o aumento máximo seguro da temperatura média da Terra em relação aos níveis pré-industriais.
A cada fração adicional de grau e a cada ano em que a temperatura permanecer acima desse patamar, aumentam os riscos de eventos extremos mais intensos, perdas de ecossistemas e danos à saúde, à produção de alimentos, ao abastecimento de água, às cidades e às economias.
O relatório afirma que, diante dos anos de demora na redução das emissões, a estratégia mais viável agora é tentar fazer essa ultrapassagem ser a menor e mais curta possível.
Isso significa reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa, chegar às emissões líquidas zero e, depois, retirar da atmosfera mais dióxido de carbono do que é lançado, numa tentativa de fazer a temperatura global cair novamente para 1,5°C ou menos.
⚠️ Mas os próprios autores destacam que esse retorno não está garantido.
“O calor escaldante deste verão, os incêndios florestais e as enchentes fatais são um alerta do que está por vir. Precisamos fazer com que a ultrapassagem de 1,5°C seja a menor e mais curta possível. Isso exige uma ambição ainda maior”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.
Mais calor, mais riscos
O cenário mais otimista analisado pelo Pnuma prevê um pico de aproximadamente 1,8°C. Nos demais, o aquecimento ultrapassa os 2°C.
A diferença de alguns décimos de grau pode parecer pequena, mas tem consequências importantes para o sistema climático.
Segundo o relatório, a cada fração adicional de aquecimento aumenta o risco de mudanças que podem se tornar difíceis ou impossíveis de reverter em escalas de tempo humanas.
Entre elas estão a desestabilização de grandes mantos de gelo, mudanças na nossa Floresta Amazônica e alterações na Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc, no termo em inglês), sistema de correntes oceânicas que ajuda a distribuir calor pelo planeta e tem papel importante na regulação do clima.
