Ceará

Acordos abrem espaço para Ceará ampliar exportações e conquistar novos mercados

Especialistas apontam que empresas precisam investir em certificações, planejamento e conhecimento das regras para aproveitar as oportunidades.

O cenário de novos acordos entre o Mercosul e Singapura e o tratado com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein,

não partem de uma relação comercial inexistente. O Ceará já vende produtos para esses mercados, mas ainda há espaço para ampliar volume, variedade e valor agregado.

Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em 2025, o Estado teve a janela de exportação para cerca de 150 países e ampliou a sua cartela de produtos comercializados para 1.747 itens, com ferro fundido, ferro e aço como protagonistas com US$ 1,18 bilhão das exportações.

“Existe uma diferença entre ter um mercado como destino e estar efetivamente inserido naquele mercado. O acordo pode reduzir barreiras e melhorar a competitividade, mas a empresa precisa ter capacidade produtiva, certificações, estratégia comercial e conhecimento das exigências do comprador. A oportunidade maior está em sair de operações pontuais e construir presença recorrente”, explicou o especialista em comércio exterior, Augusto Fernandes.

Para Fernandes, além do comércio de bens, os acordos podem estimular investimentos, parcerias empresariais e integração em cadeias internacionais. No caso do acordo Mercosul-EFTA, estimativas do governo federal apontam potencial de acrescentar R$ 2,69 bilhões ao PIB brasileiro até 2044, atrair R$ 660 milhões em novos investimentos e elevar as exportações em R$ 3,34 bilhões.

Cuidados para aproveitar os acordos

O potencial de vendas e a redução ou eliminação de tarifas não significam que qualquer produto terá acesso imediato ou operação mais competitiva. As empresas precisam observar as regras específicas de cada acordo, principalmente os critérios de origem, classificação fiscal, documentação e requisitos sanitários e técnicos.

Fernandes chama atenção para o Certificado de Origem, que pode ser determinante para a obtenção da preferência tarifária, além do correto enquadramento fiscal da mercadoria, a formação do preço de exportação, os custos de transporte e seguro e o cumprimento dos procedimentos aduaneiros. “O acordo com Singapura já conta, inclusive, com manuais específicos elaborados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para orientar exportadores e importadores sobre regras de origem e desgravação tarifária”, afirma.

O professor e administrador Leonel Credídio observa que as empresas precisam estar atentas a esses mercados estratégicos, inclusive com a possibilidade de buscar apoio e consultorias com entidades que tenham área internacional ativa.

Segundo ele, adequação documental para dominar regras de prova de origem e certificação para aproveitar benefícios tarifários, planejamento tributário para as empresas revisarem a classificação fiscal e cronogramas de desgravação, digitalização para explorar oportunidades em comércio eletrônico e serviços digitais, especialmente no acordo com Singapura, são alguns dos ítens necessários para que as empresas possam ter competitividade nessa nova abertura de mercado.

“Perceba como esses pontos são complexos para aquelas empresas que estão iniciando trabalhos além Fronteira e, mesmo para aquelas com experiência, a busca de especialistas é importante porque os prejuízos com as oportunidades perdidas podem ser grandes”, observou o professor.

Por Emanuel Santos

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