Parque Tecnológico de Caucaia é apresentado a investidores na Espanha
O Parque Tecnológico de Caucaia (Partec) será apresentado a operadores europeus de data centers, nos dias 25 e 27 de julho, durante a 20th Multi Conference on Computer Science and Information Systems (MCCSIS 2026), em Valência, na Espanha. A apresentação do projeto busca posicionar Caucaia e o Ceará como destinos estratégicos para investimentos digitais como data centers, além de inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho.
Entre os diferenciais estão o contato próximo com as estações de cabos submarinos de fibra óptica ligadas ao eixo do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, a viabilidade de fontes de energia renováveis e a presença da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará). A combinação desses fatores deve favorecer operações que exigem grande capacidade computacional, alta disponibilidade energética e baixa latência na transmissão de dados entre o Brasil e mercados da Europa, da África e das demais regiões das Américas.
Partec será apresentado pelo secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico de Caucaia e professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), Machidovel Trigueiro Filho. Segundo ele, o foco é mostrar o parque para empresas interessadas na expansão de centros de processamento de dados no Brasil. De acordo com o professor, o Partec já possui área delimitada, que será um polígono de 124,68 hectares, delimitado pelo Decreto nº 1.566/2026 e destaca que atualmente a modelagem econômico-financeira do parque já está sendo construída.O projeto também conta com o Fundo Municipal de Tecnologia e Inovação de Caucaia (FMTec), funcionando de forma integrada.
A presença na cidade espanhola também posiciona Caucaia entre os poucos proponentes latino-americanos de projetos de infraestrutura digital apresentados em um ambiente internacional tradicionalmente ocupado por iniciativas da Europa, da Ásia e do Oriente Médio.“Caucaia não é apenas um endereço para grandes galpões, mas o coração de um ecossistema de inovação completo. Levamos à Europa a mensagem de que o município deixa de ser destino de investimentos pontuais e passa a se afirmar como território computacional estratégico para o Brasil”, afirma Machidovel.O congresso é promovido pela International Association for Development of the Information Society (IADIS), chegando à sua 20ª edição como um dos principais encontros de computação da Europa. O evento reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes do setor de tecnologia de diversos países para discutir temas como IA, cidades inteligentes e governança de dados.
Ecossistema deve ir além dos grandes data centersO Partec será apresentado aos investidores interessados como um ecossistema estruturado divido em três camadas: a primeira consiste em data centers de hiperescala instalados na ZPE Ceará.A segunda camada prevê uma rede de processamento distribuído, formada por data centers de borda — chamados de edge data centers — voltados a aplicações de IA, Internet das Coisas (IoT) e redes 5G e 6G.Já a terceira camada consiste em empresas, laboratórios, universidades, instituições de pesquisa e prestadores de serviços necessários ao funcionamento da cadeia de infraestrutura digital.
O objetivo é a criação de condições para que os investimentos em grandes centros de dados gerem impactos econômicos mais amplos no Ceará, com atração de fornecedores, serviços tecnológicos, pesquisa, qualificação profissional e novas oportunidades de negócios.Como a Partec segue esse modelo, não há concorrência com os negócios de hiperescala anunciados para a região. A proposta é complementar esses projetos e organizar a cadeia de suprimentos ao redor deles, aumentando a parcela dos investimentos, empregos e serviços que podem permanecer no território cearense.Caucaia define modelo padrão exigido para datacentersEm entrevista recente ao O POVO, Machidovel pontua que o modelo padrão de contrapartida exigido para novos data centers deve ser a “principal mensagem” durante o evento.Ele explica que a Lei nº 3.940/2025 condiciona qualquer incentivo municipal a contrapartidas, e define que o modelo padrão aplicado aos data centers se divide em cinco eixos: formação e qualificação profissional contínua; integração produtiva local, com metas de compras e contratações no território; captação de recursos em infraestrutura urbana e social; aportes ao FMTec; e contrapartidas computacionais — capacidade de processamento, conectividade e serviços digitais — que serão colocados à disposição do interesse público, escolas e da própria gestão municipal.
‘Soberania infraestrutural’Durante a conferência, Machidovel também abordará o conceito de “soberania infraestrutural”. A expressão refere-se à capacidade do Estado de governar os ativos físicos dentro do próprio território. Esses ativos sustentam a economia digital, como redes de energia, cabos de telecomunicações e centros de processamento de dados.O professor explica que fontes de energia limpa e incentivos associados à ZPE seguem na mesma direção e transformam o eixo Caucaia-Pecém em um caso especial de relevância jurídica, econômica e geopolítica.Siga o canal de Economia no WhatsApp para ficar bem informadoO tema é centro do livro do professor que será lançado em espanhol no MCCSIS 2026. A obra analisa energia, conectividade e dados como partes de um mesmo sistema e discute as dimensões materiais, regulatórias e geopolíticas da infraestrutura digital contemporânea.Cooperação entre Caucaia e UFCO compromisso em Valência deve reforçar a cooperação entre o município e a UFC e tornar ampla a inserção internacional do Ceará em uma agenda considerada estratégica para o desenvolvimento econômico das próximas décadas.Veja dicas rápidas sobre Educação Financeira no Dei ValorCom a demanda mundial por processamento de dados cada vez maior e aplicações de inteligência artificial, a apresentação do parque torna Caucaia mais próxima de operadores europeus e também transforma vantagens já existentes no Estado — energia renovável, conectividade internacional, localização geográfica e incentivos — em atração de capital, inovação e geração de emprego para o Ceará.
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