Inflação do aluguel volta a subir em março com pressão do petróleo
O IGP-M, índice amplamente usado como referência para reajustes de contratos de aluguel, voltou a subir em março e interrompeu o recuo observado no mês anterior. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas, o indicador avançou 0,52% no período, após ter caído 0,73% em fevereiro. Foi o maior resultado mensal desde fevereiro de 2025, quando o índice havia registrado alta de 1,06%. Com isso, o IGP-M passou a acumular elevação de 0,19% no ano, embora ainda apresente retração de 1,83% no acumulado de 12 meses.
O principal fator por trás dessa mudança de trajetória veio do atacado, especialmente com a influência dos preços agropecuários e dos derivados de petróleo. O IPA, que responde por 60% do índice geral, avançou 0,61% em março, depois de uma queda de 1,18% no mês anterior. Entre os itens que mais contribuíram para essa aceleração aparecem bovinos, ovos, leite, feijão e milho. Ao mesmo tempo, o comportamento dos derivados de petróleo passou por inflexão importante, saindo de uma retração de 4,63% em fevereiro para alta de 1,16% em março, movimento associado ao aumento da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio.
A pressão externa sobre a commodity energética ajuda a explicar por que a inflação medida pelo IGP-M voltou a ganhar força. De acordo com as informações divulgadas, o barril do petróleo Brent acumulou alta superior a 45%, em meio às interrupções do fluxo no estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da produção mundial. Nesta segunda-feira, o contrato para junho era negociado ao redor de US$ 108, bem acima dos US$ 72,48 observados antes dos ataques. Como o índice capta a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil, choques dessa natureza tendem a se espalhar por diferentes cadeias produtivas e podem, em um segundo momento, alcançar também os custos repassados à economia doméstica.
OE
