Observatório da Indústria mapeou 560 dados de economia verde e 100 mil empresas do Ceará
A Rede de Observatórios da Indústria lançou, durante a Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a Plataforma Economia Verde Brasil (PEV), solução digital de inteligência que reúne 560 dados, informações, indicadores e cases de sucesso relacionados à agenda sustentável do País.
A iniciativa, gerida pelo Observatório da Indústria do Ceará, foi apresentada durante a palestra “Inteligência e Plataformas Estratégicas para a Competitividade Industrial Cearense”, realizada na segunda-feira, 9 de março, onde foi revelada ainda uma base de informações de 100 mil empresas cearenses.
Na ocasião, também foram apresentados outros projetos desenvolvidos pelo observatório voltados à geração de inteligência para o setor produtivo, como o Atlas da Indústria e o Atlas do Gás Renovável.
Sobre a PEV, a especialista em estudos de futuro, Marília de Souza, explicou que a ferramenta foi criada para disseminar um novo modelo econômico voltado à redução de riscos ambientais.
“A gente quer dar visibilidade para quem já está fazendo alguma coisa, que as empresas possam se mostrar e que os outros possam vir a conhecer. Assim, queremos fornecer dados, indicadores e conectar empresas, governos, academias e sociedade em torno dessa agenda”, destacou.
A plataforma possui 560 indicadores abrangendo dimensões ambientais, econômicas, estratégicas, políticas, infraestruturais e sociais, permitindo o monitoramento da evolução do setor “ao longo de séries históricas que foram iniciadas ainda na década de 60, por exemplo”.
“Podem ser feitos filtros, onde você movimenta o período histórico para enxergar como é que vinha sendo e como é que está sendo atualmente. Temos recortes municipais, estaduais e alguns que são nacionais. Mapas onde você, movendo o histórico, você vê o fenômeno ao longo do tempo”, pontuou a especialista.
A ferramenta também conta com um repositório de documentos e estudos sobre Economia Verde, reunindo materiais nacionais, internacionais e projetos de lei.
“Documentos que vão nos inspirar, mesmo que eles não digam respeito à nossa realidade no Brasil, eles podem ser úteis para aquilo que nós temos como desafio”, ressaltou.
Além disso, conforme Marília, a ferramenta incentiva a produção científica e o compartilhamento de boas práticas.
Foi anunciado um concurso de artigos científicos sobre a “Indústria do Futuro – Desafios de Transição para a Economia Verde”, aberto até o final de maio para estudantes e pesquisadores de instituições brasileiras.
E, na plataforma há um espaço dedicado para que as empresas submetam seus próprios cases de sucesso, ganhando visibilidade nacional por suas soluções sustentáveis.
“O propósito é impulsionar a economia verde no Brasil. Essa é a razão de existir dessa plataforma. E a proposta de valor é ser um ponto de encontro de quem quer atender, de quem quer entender, de quem quer aplicar e de quem quer avançar em soluções de economia verde”.
Atlas da Indústria passa a contar com geolocalização
Também durante a palestra, o economista-chefe do Observatório da Indústria do Ceará, Guilherme Muchale, falou sobre a novidade no Atlas da Indústria, que agora contará com a funcionalidade de geolocalização.
“Empresas de diversos segmentos da indústria cearense já usam a plataforma. Aí a gente traz essa nova funcionalidade que é a de geolocalização, para trazer um elemento a mais para a inteligência territorial do Ceará. Então a novidade é que agora a empresa pode georreferenciar ou geolocalizar todas as informações mercadológicas”, comentou.
A solução foi desenvolvida para, segundo Muchale, apoiar uma das decisões mais estratégicas das empresas: “definir onde atuar e quais mercados priorizar em meio às diversas oportunidades disponíveis”.
A ferramenta permite identificar regiões com maior potencial de crescimento, mapear possíveis clientes e avaliar o nível de concorrência em diferentes territórios.
“Eu consigo, por exemplo, determinar o meu potencial de mercado em qualquer município ou em qualquer agregado geográfico e territorial, partindo de bairros até macrorregiões, estados e grandes regiões”, ressaltou.
E complementou: “Então, com isso, eu consigo dimensionar o tamanho da demanda local, o perfil do mercado consumidor desse local, o nível de concorrência para saber desenhar um mercado saturado e, com isso, direcionar os investimentos”.
O Atlas da Indústria pode ser utilizado por indústrias, empresas em expansão, varejo e serviços, além de investidores e consultorias interessados em compreender melhor as dinâmicas econômicas regionais.
A plataforma, de acordo com o economista, funciona como um sistema de inteligência territorial que reúne diversas bases de dados. Ao todo, ela já disponibiliza informações de mais de 100 mil empresas do Estado.
Com foco em MPEs, Fiec lançará o Atlas de Gás Renovável
A última solução apresentada na palestra foi o Atlas do Gás Renovável, projeto que ainda está sendo executado e que, segundo a coordenadora de prospectiva do Observatório da Indústria, Mariana Matos, tem como propósito “fortalecer a cultura sustentável nas empresas cearenses”.
A plataforma promete centralizar informações sobre o potencial de geração de energia a partir de resíduos orgânicos e efluentes. O foco principal dessa ferramenta será o apoio às Micro e Pequenas Empresas (MPEs) promovendo, segundo Mariana, a economia circular, a atração de investimentos e a análise territorial.
Assim, com dados georreferenciados, o Atlas de Gás Renovável permitirá identificar onde estão os ativos orgânicos e como transformá-los em energia.
“Queremos identificar e disseminar essas oportunidades, de cunho econômico, para utilização e comercialização dos resíduos. Temos o resíduo sólido urbano, os efluentes e, também, a biomassa”, explicou a coordenadora.
Dentre os potenciais benefícios estão a integração produtiva, a decisão orientada a dados e a sustentabilidade ambiental.
O POVO
