Economia

Líder econômica do NE, Fortaleza aposta no Desenrola para manter crescimento do varejo

Com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, em torno de R$ 86,9 bilhões, e a oitava economia do País entre as capitais, Fortaleza vive a expectativa do novo Desenrola Brasil para movimentar negócios, sobretudo no setor terciário, formado pelo comércio e serviço. Essa perspectiva passa pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL/Fortaleza) que aposta em medidas como o Desenrola para alavancar vendas e promover um verdadeiro desbloqueio do consumo. “Ao atacar a inadimplência, o programa remove o principal gargalo financeiro das famílias. O processo gera um ciclo virtuoso em três etapas: na recuperação de renda, na reabilitação do crédito e no giro setorial”, detalha o presidente da CDL Fortaleza, Maurício Filizola.

Na recuperação de renda, a CDL entende que as renegociações reduzem o peso das parcelas no orçamento mensal, enquanto que, na reabilitação de crédito, o consumidor retorna ao mercado formal com “nome limpo” e garante o acesso a novas linhas de financiamento e, por fim, no giro setorial que é sentido imediatamente no comércio de bairro, serviços e varejo (eletrodomésticos, móveis e vestuário) que sentem a retomada das vendas a prazo.

Para Filizola, Fortaleza depende, diretamente, da confiança e do crédito e essa “oxigenação” do varejo produz aumento da liquidez, redução de risco e regularização tributária. “Na liquidez, significa mais dinheiro circulando no comércio de proximidade e nos centros comerciais. Na redução do risco, os lojistas recuperam ativos antes considerados perdidos e reduzem a provisão para devedores duvidosos. Na regularização tributária, com as finanças em dia, o consumo gera arrecadação local de ICMS e ISS”, disse.
Contudo, o dirigente vê pontos de atenção. “Para o impacto ser perene, o programa deve atuar como uma ponte, não como uma muleta. Sem educação financeira, o risco de reendividamento no crédito rotativo permanece elevado”, pontua Maurício Filizola.

Números
A CDL informou que na primeira edição do Desenrola Brasil, Fortaleza registrou que, aproximadamente, 34 mil pessoas foram beneficiadas, com um volume de R$ 24 milhões em dívidas renegociadas. No Ceará, mais de 124 mil pessoas renegociaram 252,7 mil contratos, com descontos que chegaram a 85% das dívidas, ou seja, o volume de R$ 640 milhões caiu para R$ 95,9 milhões.
Para o presidente da CDL, o grande desafio do “Desenrola 2.0” é garantir que essa reentrada no mercado seja sustentável. “A renegociação destrava o consumo imediato e melhora o fluxo de caixa das empresas, mas deve ser acompanhada de responsabilidade financeira para evitar novos ciclos de endividamento. O foco é transformar alívio financeiro em crescimento econômico real e duradouro para a capital cearense”, ressalta.

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Embora já tenha feito menções sobre a nova edição do Desenrola Brasil, o Governo Federal deve anunciar, oficialmente, a nova fase do programa de renegociação de dívidas, nesta segunda-feira, 4, no Palácio do Planalto. O programa prevê a renegociação de dívida com juros de até 1,99% ao mês e descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor devido. Além disso, a pessoa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar saldos devedores.
(Por Emanuel Santos)

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