Economia

Nordeste lidera alta da cesta, e consumo nos supermercados cresce 1,92% no trimestre

O Nordeste registrou, em março, a maior alta regional no valor da cesta de compras entre as cinco regiões do país, com avanço de 2,49%, acima da média nacional. Com isso, o valor passou de R$ 720,53 para R$ 738,47, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, 23, pela Associação Brasileira de Supermercados. O dado reforça a pressão inflacionária sobre o consumo básico na região, mesmo em um cenário de expansão nas compras das famílias brasileiras.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o consumo nos supermercados cresceu 1,92% no país, já descontada a inflação medida pelo IPCA. Em março, o avanço foi ainda mais expressivo, com alta de 6,21% em relação a fevereiro e de 3,20% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Para a Abras, o resultado foi influenciado pela antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril, e também pelo efeito-calendário, já que fevereiro tem menos dias úteis para consumo.

A entidade avalia ainda que a maior circulação de renda ajudou a sustentar o desempenho do varejo alimentar em março. Entre os fatores citados estão os repasses do Bolsa Família, que alcançaram 18,73 milhões de lares com transferência de R$ 12,77 bilhões, e o pagamento do segundo lote do PIS/Pasep, que injetou cerca de R$ 2,5 bilhões na economia. O movimento mostra que a expansão do consumo no setor segue fortemente associada ao reforço temporário da renda das famílias, sobretudo das camadas de menor poder aquisitivo.

Ao mesmo tempo, o consumidor continuou enfrentando encarecimento da cesta de produtos de largo consumo. O Abrasmercado, indicador que acompanha os preços de 35 itens, subiu 2,20% em março, fazendo o valor médio da cesta nacional passar de R$ 802,88 para R$ 820,54. Entre os produtos básicos, o feijão liderou as altas no mês, com avanço de 15,40%, seguido pelo leite longa vida, com 11,74%. No trimestre, o feijão acumulou elevação de 28,11%, enquanto o leite subiu 6,80%, sinalizando persistência da pressão sobre alimentos essenciais.

Também pesaram no orçamento itens in natura e proteínas. O tomate subiu 20,31% em março, a cebola avançou 17,25% e a batata teve alta de 12,17%. No acumulado do trimestre, esses produtos registraram elevações de 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente. Entre as proteínas, houve aumento nos ovos, de 6,65%, e na carne bovina, tanto no corte traseiro, com alta de 3,01%, quanto no dianteiro, com 1,12%. Em sentido oposto, frango congelado e pernil recuaram no mês, mas não o suficiente para aliviar de forma mais ampla a pressão sobre a alimentação doméstica.

No recorte regional, depois do Nordeste apareceram Sudeste, com alta de 2,20%, Sul, com 1,92%, Centro-Oeste, com 1,83%, e Norte, com 1,82%. Ainda que o Nordeste tenha apresentado a maior variação percentual, continuou com a cesta de menor valor absoluto entre as regiões. Já o Norte e o Sul permaneceram com os maiores custos, acima de R$ 888 em março, revelando diferenças importantes de estrutura de preços, logística e abastecimento no país.

Para o segundo trimestre, a Abras projeta continuidade da alta no consumo, impulsionada pela antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, estimada em R$ 78,2 bilhões para cerca de 35,2 milhões de beneficiários, e pelo primeiro lote de restituições do Imposto de Renda.

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