Remo brasileiro tem, pela primeira vez, barco com atletas paralímpicos: “Somos capazes”
Barcos alinhados na Lagoa Rodrigo de Freitas anunciam o início de mais uma disputa nacional de remo, mas, desta vez, com um marco histórico. Pela primeira vez, um barco formado exclusivamente por atletas paralímpicos participou do Campeonato Brasileiro da modalidade, competindo lado a lado com atletas convencionais.
A equipe fará parte da prova de Oito Com Timoneiro, uma das mais tradicionais do remo, composta por oito remadores e um timoneiro. Para Guyl Moreira, o “Gigante”, idealizador da iniciativa, o momento vai além da competição: é um gesto de inclusão e superação.
“Quero que o público veja uma disputa, e não algo sob uma ótica capacitista. Que pensem: ‘Eles conseguem fazer como todo mundo’. Esse é o meu objetivo. Quando estamos inseridos, mostramos que somos capazes. É um passo importante, não só para o esporte, mas para a sociedade”, afirma, emocionado.
Composição
O barco será formado por Guyl, Edmilson Neto, Keisy Bonine, Jairo Klug, Lucas Sodré, Adeilso de Abreu, Valdeni da Silva Junior, Salvador Maike e o timoneiro Jucelino da Silva (“Birigui”), todos da classe PR3, composta por atletas com mobilidade parcial nas pernas ou deficiência visual.
No remo paralímpico, a prova de Oito Com Timoneiro não existe oficialmente, o grupo usará o mesmo barco dos atletas olímpicos, com pequenas adaptações para garantir conforto e eficiência durante as remadas.
A ideia do projeto nasceu após Guyl assistir ao Desafio Brasil de Atletismo, que reuniu atletas da Confederação Brasileira de Atletismo e do Comitê Paralímpico Brasileiro. Portador da doença de Charcot-Marie-Tooth (CMT), uma condição genética que afeta os nervos periféricos, ele encontrou no esporte um caminho para continuar se movendo e inspirando outras pessoas.
Por: Ismael Azevedo
Fonte: O Estado CE
