Economia e Empreendedorismo

Dólar recua e Bolsa avança em meio a julgamento de Bolsonaro e expectativa de cortes de juros nos EUA

O mercado financeiro brasileiro teve um pregão de contrastes nesta quarta-feira (10/09), marcado pela influência do cenário político nacional e das expectativas internacionais. O dólar caiu 0,54%, encerrando o dia cotado a R$ 5,406, enquanto o Ibovespa subiu 0,51%, fechando a 142.386 pontos, após chegar a superar os 143 mil no decorrer do dia.

O desempenho da Bolsa foi impulsionado pela valorização das ações do Banco do Brasil, que avançaram mais de 3% após a edição de uma medida provisória que libera R\$ 12 bilhões para renegociação das dívidas do agronegócio, e da Petrobras, que subiu 1,80%. O setor de varejo também teve sessão positiva, favorecido pela deflação do IPCA de agosto, divulgada pelo IBGE, que registrou queda de 0,11%, a maior em quase três anos. O Magazine Luiza, por exemplo, chegou a disparar 6,61% na máxima do dia e fechou em alta de 4%.

Na ponta negativa, a Embraer recuou 1,58%, mesmo após anunciar a venda de mais de 50 aeronaves à companhia aérea americana Avelo. Analistas apontam que a pressão veio da cautela dos investidores diante do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentativa de golpe de Estado. A análise do caso chega ao quarto dia, com expectativa de encerramento na sexta-feira.

O ambiente político elevou a tensão entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, Donald Trump vinculou a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a uma suposta perseguição a Bolsonaro, e a Casa Branca reforçou que poderá usar “poder econômico e militar” para defender a liberdade de expressão. Para Leonel Mattos, analista da StoneX, a conclusão do processo tende a dificultar a reaproximação bilateral. “O risco é de novas sanções e tarifas, o que pode aumentar a percepção de incerteza sobre ativos brasileiros e prejudicar o real”, avalia.

No front econômico, a deflação do IPCA refletiu a queda no preço da energia elétrica, beneficiada pelo desconto temporário de Itaipu. Para Patrick Buss, da Manchester Investimentos, o resultado favorece o setor de varejo ao reduzir custos financeiros e estimular vendas. Já Rafael Perez, da Suno Research, pondera que a inflação segue resiliente, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e pelo consumo das famílias, o que justifica a postura conservadora do Copom.
No cenário externo, o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA caiu 0,1% em agosto, contrariando as expectativas de alta de 0,3%. Os dados reforçaram a possibilidade de corte na taxa de juros pelo Federal Reserve na reunião de 17 de setembro. Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado precifica 88% de chance de redução de 0,25 ponto percentual e 12% de 0,50. “A dúvida agora é a magnitude desse corte”, explica Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

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